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13.08.09 - Brasil
Brasil – Campanhas salariais
Na Base
Boletim Informativo oficial do Sindicato dos Trabalhadores do ramo Químico / Petroleiro do Estado da Bahia
Adital

Nesta entrevista, a supervisora técnica do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), Ana Georgina Dias, avalia as campanhas salariais do primeiro semestre e as condições econômicas para as do segundo semestre. Veja a seguir:

Na Base - Qual é sua avaliação sobre o resultado das campanhas salariais desenvolvidas pelas categorias com data base no primeiro semestre?

Ana Georgina Dias -O DIEESE ainda não tem dados consolidados do 1° semestre de 2009, mas foi feita uma análise prévia das negociações com datas-base de janeiro a maio, selecionando 100 categorias que já tiveram as negociações fechadas. A análise revela uma melhora em relação aos resultados alcançados por essas mesmas categorias em 2008.
No ano passado, 89% das negociações analisadas asseguraram, no mínimo, a recomposição das perdas ocorridas durante a database; em 2009, esse percentual subiu para 96% das negociações.
O percentual de negociações com reajustes inferiores ao INPCIBGE passou de 11%, em 2008, para 4%, em 2009. Fazendo uma análise por setor da economia, verificamos que 94% das negociações na indústria garantiram um percentual de reajuste igual ou acima da inflação. Em 2008, esse percentual também foi de 94%. No comércio, o percentual de negociações que garantiram a reposição das perdas ou ganho  real subiu de 86,7%, em 2008, para 100% em 2009. No setor de serviços, caracterizado pela grande heterogeneidade, o percentual de negociações com ganho real subiu para 95,9% (em 2008, foi 85,7%). A partir desses resultados, é possível notar que a instabilidade econômica causada pela crise internacional, até o momento, não se refletiu de forma negativa nos reajustes salariais das categorias organizadas.

Na Base - O Sindicato vem denunciando a postura de empresários do polo que usam como argumento a crise financeira para dar continuidade à reestruturação
do setor e demitir trabalhadores. Qual é sua opinião sobre isso?

AG - Desde o início da crise, sabíamos que a mesma não teria um efeito homogêneo sobre todos os setores. Os setores econômicos ligados à exportação de bens, por exemplo, seriam mais afetados que outros que produzem para o mercado doméstico. Da mesma forma, os setores que dependem mais de crédito poderiam ser mais penalizados. No entanto, muitos setores econômicos, por precaução ou para aproveitar o momento e fazer alguns ajustes, demitiram trabalhadores.
Deste modo, o que determinou algumas dessas demissões, não foi a crise propriamente, mas algumas medidas preventivas e excessivamente cautelosas. Assim sendo, algumas empresas de fato, precisaram fazer ajustes, enquanto outras aproveitaram o momento para colocar em curso algum tipo de reestruturação.
No caso do setor petroquímico, como este possui empresas de diversos portes e segmentos, precisaríamos analisar a situação de cada uma e as medidas adotadas para enfrentar a crise.

NB - Na sua opinião, o pior da crise já passou? Muitos estudos apontam que a economia está se recuperando. Isso tem reflexos no mercado de trabalho e na renda?

AG - Na verdade, a crise atingiu os países e os diversos setores da economia de maneira diferenciada. A indústria certamente foi o setor mais afetado pela crise, mas dentro da própria indústria existem segmentos que não sentiram tanto seus efeitos. Os recentes dados da produção industrial indicam um leve reaquecimento dessa atividade. Comparando os dados do 2° trimestre de 2009 (abril a junho) com os do 1° trimestre (janeiro a março), verifica-se que houve um aumento de 3,4% na produção da indústria brasileira. Em termos regionais, quase todas as localidades pesquisadas também registraram aceleração no ritmo produtivo.
Os dados do mercado de trabalho, por sua vez, apontam que parte do ajuste das empresas em resposta à crise econômica ocorreu principalmente através da demissão de trabalhadores. O agravamento da crise internacional teve reflexos negativos no nível de emprego, notadamente nos setores exportadores e naqueles dependentes do crédito interno e externo. No período de novembro de 2008 a janeiro de 2009 foram eliminados 797.515 postos de trabalho formal no Brasil.
A notícia boa é que os indicadores do mercado de trabalho estão começando a mostrar recuperação, com a retomada das contratações e a continuidade da expansão do rendimento médio e dos salários. Os saldos de criação de postos de trabalho formal já não são negativos desde fevereiro. Apesar de positivos, esses saldos ainda estão baixos, na comparação com 2008. Até o 1° semestre de 2009, foi gerado um saldo de quase 300 mil postos no mercado de trabalho formal brasileiro e de pouco mais de 23 mil postos na Bahia. No 1° semestre de 2008, o saldo no Brasil era de quase 1,4 milhão de postos e, na Bahia, o saldo era de mais de 46 mil postos.

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