Diante da iniciativa dos indígenas de Cauca, na Colômbia, de expulsar de suas terras Exército e grupos guerrilheiros que violam os direitos humanos e tiram a tranquilidade da população em virtude dos constantes enfrentamentos armados, a Coordenadora Andina de Organizações Indígenas (Caoi) decidiu se manifestar respaldando as reivindicações dos povos indígenas colombianos.
Hoje, de acordo com a TeleSUR, houve conflito entre indígenas e homens das forças militares do governo. Conforme prometido e avisado pelos indígenas, os guerrilheiros e as forças militares tinham até a meia noite de ontem para sair de Cauca. Como o pedido não foi atendido, desde as 5h da manhã mais de mil indígenas estão agindo em El Berlín, município de Toribío, para retirar a força os militares e desmontar a base que se encontra nesta região. O Exército respondeu com tiros e bombas de gás lacrimogêneo e teve início um enfrentamento que durou cerca de 45 minutos.
Durante seu III Congresso, as organizações dos seis países andinos que constituem a Caoi debateram as violência e violações que os indígenas de Cauca são obrigados a enfrentar dia após dia. Assim, solidários com a situação dos irmãos e irmãs, exigiram junto ao governo colombiano a desmilitarização dos territórios em Cauca como saída para garantir a sobrevivência e a continuidade cultural deste povo.
Com base em leis de origem indígena e em documentos nacionais e internacionais como o Convênio 169 da Organização Internacional do Trabalho e a Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas (artigo 30), o Congresso da Caoi também decidiu exigir a todos os envolvidos no conflito armado colombiano que respeitem a vida, a cultura e a livre determinação dos indígenas da Colômbia, em especial de Cauca.
A Coordenadora também pede que se reconheça o papel da guarda indígena; que respaldem as autoridades indígenas colombianas como autoridades públicas de caráter especial e reconheçam as instituições indígenas como verdadeiramente representativas do povo. A comunidade nacional e internacional também pode ajudar neste momento, por isso, a Coordenadora pede aos países irmãos um acompanhamento humanitário aos indígenas que se encontram no fogo cruzado.
Ciente de que a resolução deste conflito também passa pelo chefe maior do Estado colombiano, Caoi pede, em nome dos indígenas de Cauca, que Juan Manuel Santos que busque uma saída dialogada e negociada ao conflito armado que inclua a sociedade civil e os povos indígenas na busca pela verdadeira paz na Colômbia. Da mesma forma, chama o Exército do país e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) a se disponibilizarem para o debate.
O apelo por diálogo e uma saída negociada é feito com a intenção de ajudar a desmontar o conflito armado interno existente na Colômbia desde os princípios de 1960 e que já levou a vida de crianças, indígenas, mulheres, militares e demais cidadãos colombianos; deslocou comunidades inteiras e deu fim a bilhões de pesos com a compra de armamentos para alimentar o conflito. Desde seu início, a guerra civil teve momentos mais sangrentos como quando o narcotráfico passou a financiar alguns atores do conflito.
Contexto
Até o momento, a situação desencadeada na terça-feira passada com a decisão dos indígenas de Cauca de desmantelar trincheiras das Farc e das tropas do Exército para colocar fim aos enfrentamentos, não encontrou caminhos para chegar ao fim. A decisão do governo é de manter no município de Toribío, departamento de Cauca, os atores armados do Exército. Os indígenas também não estão dispostos a recuar e seguem pedindo a retirada de todos os atores armados da região.
Em carta enviada no último domingo (15) ao líder das Farc, autoridades indígenas pediram a retirada dos guerrilheiros. Os indígenas deram até as 12h da noite de segunda-feira para que fosse feita a desocupação, pois na manhã desta terça, a partir das 6h, dariam início a uma série de ações de resistência inclusive com incursões até as torres militares para tirar os efetivos que se encontrassem nelas.
Dentro deste contexto que envolve o triângulo povos indígenas, Farc e tropas do Exército surgiram rumores de que os indígenas estivessem infiltrados na guerrilha. A possibilidade foi levantada após a porta-voz de Organização Pluricultural de Povos Indígenas da Colômbia (OPIC), Ana Silvia Secué, ter denunciado a existência de um acordo entre a guerrilha e as comunidades indígenas de Cauca para que policiais e militares pudessem sair da região. Os indígenas, no entanto, negam a acusação.
Com informações de agências.
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