Esta declaração foi elaborada pelo Conselho de Administração da Rede Intercontinental de Promoção da Economia Social e Solidária (RIPESS), reunido no Rio de Janeiro, tomando como base as discussões e deliberações sobre a Rio+20 do V Encontro Latino-americano e Caribenho de Economia Solidária e Comércio Justo e com aportes de representantes dos demais continentes.
Entre 16 e 25 de junho, mais de 370 organizações de todos os continentes do mundo declararam apoio. As assinaturas seguem ao final.
A economia que precisamos: Declaração do movimento de Economia Social e Solidária à Rio +20
A Cúpula dos Povos e a Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável da Rio +20 acontecem em um momento de crise da civilização que se expressa em uma multitude de crises: alimentar, ecológica, energética, financeira, social e de representação política, e não é com esse mesmo pensamento e o mesmo modelo de sociedade que gerou estas crises que se sairão delas!
A pretendida economia verde, tal como é apresentada pelos governos e as multinacionais, é só uma extensão deste modelo, através da mercantilização dos bens comuns como nova forma de expansão do capitalismo em crise, enquanto a economia solidária permite emancipar-se dele.
Em todos os continentes, nas comunidades, regiões e países existem iniciativas econômicas e sociais em muitos setores de atividades que demonstram a viabilidade concreta e viva de outros modelos de desenvolvimento, de organização da economia e das sociedades onde a vida, a pluralidade, a autogestão, a justiça ambiental e social definem uma economia solidária diferenciada da economia do capital. A economia solidaria é um movimento social que, com outros, contribui para consolidar uma verdadeira democracia econômica e política.
A criação da Agencia Internacional Ambiental proposta pela PNUMA não poderá resolver os desafios da governança mundial. É imperativo que as ferramentas e as instituições de governança sejam transformadas para basear-se estruturalmente em processos contínuos de consulta e de participação de todos os setores da sociedade, a nível local, regional e internacional, e que estas não estejam dominadas pelos maiores contribuintes financeiros e geridas por "especialistas”. É necessário o respeito e o reconhecimento da soberania dos povos e das comunidades, que são aqueles que tem a legitimidades e a capacidade de levar a cabo um desenvolvimento solidário que assegure a preservação dos bens comuns.
A economia solidária constrói modelos de produção e de serviços com e para todas e todos. Estas iniciativas não podem ser consideradas como simples "programas de reparação e de luta contra a pobreza”. Pelo contrário, elas garantem intrinsecamente a justiça em todas as suas dimensões, enquanto desenvolvem atividades econômicas, sem gerar concentração de riquezas materiais ou financeiras, nem criação de pobreza. A economia solidária estabelece sistemas equitativos de comercialização, de finanças e de moedas sociais ao serviço das economias reais, circuitos curtos entre produtores e consumidores, soberania alimentar, entre outras alternativas concretas.
O movimento da economia solidária, com outros movimentos de transformação da sociedade, encarna um projeto verdadeiramente democrático, de respeito dos direitos das mulheres e dos homens, do trabalho, dos direitos cívicos, da diversidade de culturas e dos direitos da natureza para o bem viver das populações.
Rio +20 só responderá aos desafios impostos se os governos participantes se orientarem ao que o povo está construindo como uma verdadeira alternativa para o futuro da humanidade sobre a Terra.
Rio de Janeiro, junho de 2012
[Fonte: FBES].
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