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Terça-Feira, 21 de maio de 2013
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08.08.12 - Chile
[Eleições Chile] Equação política
Álvaro Cuadra
Investigador y docente de la Escuela Latinoamericana de Postgrados. ELAP. ARENA PÚBLICA. Plataforma de Opinión. Universidad de Arte y Ciencias Sociales. ARCIS
Adital

Tradução: ADITAL

A figura de Bachelet continua sendo a incógnita de uma equação política ainda não resolvida. A incerteza não se resolverá até que a ex-mandatária se pronuncie de maneira aberta sobre sua intenção de participar nas próximas eleições presidenciais [em 2013]. No entanto, pode-se tecer algumas considerações ante tal eventualidade, as quais deveriam ser levadas em consideração tanto por seus seguidores quanto por seus detratores.

Parecera indispensável que o nome de Bachelet deveria ser sancionado por eleições primárias no seio da própria Concertação. Com isso, se dissiparia a sensação de que tudo se trata de um arranjo das cúpulas, sem o consentimento explícito das bases. Uma segunda questão tem relação com a inserção da ex-presidenta no atual panorama político chileno. As pesquisas indicam que o desprestígio do atual governo de direita não significa um fortalecimento da oposição.

De outro ponto de vista, há duas claras tensões na eventual candidatura da senhora Bachelet.

A primeira pode ser enunciada com a dicotomia Bachelet-Concertação. De fato, a atual funcionária da ONU aparece com um apoio de 42% nas últimas sondagens de opinião; porém, é notório que, hoje, a Concertação de Partidos pela Democracia aparece como um conglomerado dividido, debilitado e com pouco poder de convocação. Em síntese, a atual Concertação não é, precisamente, uma agrupação que dê garantias de governabilidade democrática.

A segunda tensão relaciona-se com o caráter "retro” da gestão concertacionista. De fato, pode-se alegar que muitas das demandas expressas pelos movimentos sociais hoje são apenas o resultado daquilo que a Concertação não fez durante vinte anos no governo. Desse modo, o nome Bachelet deverá superar a ideia de um "retorno ao passado”, com toda sua carga de más práticas. Esse ponto é chave se consideramos que nas próximas eleições somam-se vários milhões de novos eleitores inscritos para votar.

Após as mobilizações sociais do ano passado, pode-se afirmar que algo mudou no ânimo e nas expectativas políticas dos chilenos. As candidaturas que consigam maior empatia com as demandas de mudança expressas nas ruas, provavelmente, serão as mais favorecidas. Apesar de que as pesquisas se focam apenas nas figuras de alguns personagens, talvez tenha chegado o momento de introduzir a primeira mudança e voltar aos "programas de governo”. Finalmente, os temas em discussão, reformas constitucionais de fundo nos campos da educação, da tributação, da saúde e da regionalização, entre tantos, não se resolvem, pelo menos não totalmente, com o sorriso maternal de uma candidata.
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