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"A Igreja não pode
omitir-se. As provas das torturas trazemos no corpo."
Ao meu irmão Frei Tito
Colaboração de amigos
DEPOIMENTOS
Frei Xavier Plassat
Xavier Plassat, frade dominicano, conheceu frei Tito nos últimos anos de sua vida, quando se estabeleceu no convento dos frades dominicanos em L’Arbresle (França).
Ao pisar no Brasil pela primeira vez em março de 1983, trazendo de volta o corpo do Tito, resolvi aqui ficar e aqui estou, vivendo as esperanças, as lutas e a fé do Tito com seu povo. Tenho convivido com Tito na comunidade dominicana de L’Arbresle (França). Foram duas primaveras, dois verões, mas um só outono e um só inverno. Ele com seus 27 anos e eu, meus 23. Ali, surgiu entre nós, irmãos pela graça de São Domingos, uma relação feita de cumplicidade e de amizade, de sorrisos e de raivas, de luta e de fé, enfrentando o Fleury que, por dentro do Tito, continuava sua tortura destruidora, partindo-lhe a alma entre resistência e abandono. Resistência era quando Tito tocava violão, formava projetos, abraçava o amigo, brincava com a criança, ria, cantava, rezava. Abandono era quando obedecia cegamente à intimação alucinante do ‘papa’ cuja voz atormentava-lhe a mente sem parar, fugindo para onde mandava que fosse, ou afundando-se em impenetráveis prantos ou desesperados silêncios. Juntos, cantamos, choramos, xingamos e desafiamos o Fleury. Partilhamos do melhor e do pior. O chão que vem e o chão que se vá. Até que um dia Tito resolvesse livrar-se definitivamente do torturador e da loucura que este pretendia infundir-lhe. Neste instante longamente preparado, num último mistério de resistência e de fé, Tito derrubou-lhe a pretensão de poder continuar, dia após dia, roubando a sua vida. “Melhor morrer que perder a vida”. Minha vida, ninguém tira: eu que a estou entregando. Prova de fé, maior não há...
