POESIAS E CARTAS
POSIÇÕES E ANÁLISES
FRASES
"A Igreja não pode
omitir-se. As provas das torturas trazemos no corpo."
As próprias pedras gritarão
Poesias e Cartas
Lasciate ogni speranza, voi ch’entrate!
São noites de silêncio.
Vozes que clamam num espaço infinito
Um silêncio do homem e um silêncio de Deus.
Talvez seja esta a voz humana, de nosso tempo.
Quem o entende? quando fala?
E quando fala, o que diz?
Senhor, vós viveste esta hora junto ao vosso pai amado.
Para que buscaste esta forma de vida?
Por que oraste? Por acaso não sois vós Deus?
Que pedias? Por que não disseste aos teus amigos teus encontros e noites escuras e de trevas?
Afastado num monte, belo, simples como toda beleza,
tu pediste ao teu Pai, a tua paz, o teu sentido
Da tua missão,
Da tua paixão,
Da tua solidão
Algumas vezes, quando te encontro te vejo só. Incompreendido.
Também abandonado.
Pai, meu pai, por que me abandonaste?
Senhor, será que teu Pai te abandonou?
Quanto a mim, estou só. Num mundo, não sei qual mundo.
Talvez da incerteza, mas também da Esperança:
De um dia de ver-te face-a-face.
Como gostaria de ver,
E de perguntar apenas:
O que queres de mim?
Por acaso não me chamastes à vida?
E por que me abandonas?
Ou será que meus ouvidos já estão
surdos à tua voz?
Vozes do silêncio,
Vozes das dores,
Voz de um sofrimento mesclado com tua maneira
de ser diante de mim.
Qual é a palavra do teu silêncio?
O meu, tu bem sabes.
Nem mesmo compreendo.
Não retires de mim teu Espírito
Vê minha face,
Mas que eu a veja
Mostrai-me tua visagem, para que seja um acalanto.
Um canto de ninar
A uma criança que se entrega totalmente aos teus braços de consolo e paz.
Tito de Alencar
L’Arbresle, 1973 - 1974
