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PEÇA DE TEATRO
FRASES
"A Igreja não pode
omitir-se. As provas das torturas trazemos no corpo."
Ao meu irmão Frei Tito
Colaboração de amigos
PEÇA DE TEATRO
"TITO", de Solange Dias
Dezembro de 2005/Janeiro de 2006
[ DOWNLOAD DA PEÇA COMPLETA EM ARQUIVO PDF ]
PERSONAGENS
- Tito
- Fleury
- Coro de Fleurys
- Dr. Rolland
- Rabotti
- Companheiros do Presídio
- Carcereiro
- Anjo da Morte
- Médico – Hospital Militar
- Dominicano
- Frei Oswaldo
- Passageiros do Metrô e Passantes nas ruas de Paris
- Xavier
- Enfermeira
- Médico – Paris
- Nildes
Cena 1 – O Início no Fim
Tito ao pé de uma árvore. Parece lúcido. Ao seu lado está Dr. Rolland, seu médico.
TITO – Quando cheguei a São Paulo, chovia, chovia. O mundo parecia que estava desabando. Imagina, um cearense como eu... sabia o quanto a chuva é abençoada. A chuva... coisa rara na minha terra.. Não vivi na seca, mas aprendi a amar a chuva. Não me deixei molhar nela de vergonha. Bobo! Perdi a oportunidade de ficar com alma lavada e o coração em paz na minha chegada. Seria uma espécie de batismo. Pensei... é um sinal de que estou no caminho certo. A chuva ia limpar meu chão para começar a semear. Semear a justiça e a paz que faltavam no meu país. Vim pra São Paulo por que o preceito dos dominicanos é dar abrigo, é ajudar ao próximo, é sair dos conventos e ir à rua ajudar o irmão. A cidade fervilhava. Em 67, a ditadura militar endurecia cada vez mais, e eu um dominicano, estudante de Filosofia, no meio daquela multidão, passeatas, correria, palavras de ordem. Ah! Liberdade! Liberdade! Liberdade! Era o lugar onde eu precisava estar! Precisavam de mim! Eu adorava aquilo, eu fervilhava também. Cada grito de luta, cada brado exigindo liberdade e justiça, era envolto de uma energia, de uma luz. Me sentia inteiro, íntegro, completo. Sabia o que dizer, sabia o que ser, sabia procurar pessoas que me ajudassem a ajudar outras pessoas. O sítio para reunião clandestina da UNE? Eu fui atrás e consegui. Quando todos fomos presos, íamos de cabeça erguida. Íamos seguros de que estávamos certos. Aquela era minha vida, era aquilo o que eu queria... A cidade de São Paulo era tão grande, tão vasta. Assim como esse campo em Villefranchesur-Saône... A diferença é que quando cheguei a São Paulo, eu ainda não estava preso dentro de mim...
