As próprias pedras gritarão
Poesias e Cartas

Se o céu é terra

Se minha alma é morta, quem a ressuscitará?
De noites sombrias,
de luzes opacas.
Meu espírito geme em dores.
Meu coração bate como o tic-tac de um relógio
em busca do ser quando este ser é o nada.
Minha vida freme* em um eterno dilema:
O ser e o não-ser,
viver é ver,
ver estrelas,
ver flores,
ver a infinita beleza de um ser criador.
Não busca o céu, mas talvez a terra,
um paraíso perdido.
Se o céu é terra, nele eu me movo como um ser
moribundo: experiência, experiência do meu viver.
Em luzes e trevas derrama o sangue da minha existência.
Quem me dirá como é o existir
Experiência do visível, ou do invisível?
Se o invisível é o visível para que ver?
Meu ver é um sofrer, no mundo oculto* de minha profundeza: minha singularidade.
Talvez minha simplicidade complicada.
Há razões para o não-ser,
pois no nada, no vazio,
Encontro uma chama que procura por absoluto.
Mas aonde?
Em que terra?
Olho todos os dias as estrelas, olhar singelo
de um infinito, tão vasto quanto a distância de seu brilho.
Talvez elas sejam os olhos de Deus, do Deus criador

(* Palavra provável)

Tito de Alencar
(sem data)


 
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