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Domingo, 19 de maio de 2013
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31.03.11 - BRASIL
Banco Bem transforma a realidade de oito comunidades
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Camila Queiroz *

Adital -
Em funcionamento desde 2005 em Vitória (ES), o Banco Bem já emprestou o montante de R$ 630 mil. Com isso, 31 mil pessoas das oito comunidades que formam o chamado Território do Bem foram beneficiadas.

As três linhas de crédito disponíveis - consumo, habitacional e produtivo - emprestaram, respectivamente, R$20.800,00, R$ 324.000,00 e R$285.000,00.

Com tantos benefícios, a ideia do Banco Bem se espalhou pela Região Metropolitana de Vitória: um ano depois, o Banco Terra, também comunitário, foi inaugurado na cidade de Vila Velha e, em 2008, os moradores do município de Cariacica ganharam o Banco Sol.

A diretora-presidente da Associação Ateliê de Ideias (entidade gestora do Banco Bem), Leonora Mol, conta que tudo começou em 2003, com a iniciativa de um grupo de mulheres que produzia artesanato e moda no morro São Benedito. Com os recursos apurados em um ano, elas emprestaram dinheiro para outra iniciativa, na área de culinária. Depois, emprestaram capital para um grupo que queria montar uma marcenaria.

A ideia de um banco comunitário estava sendo gestada. Em 2005, após conhecer a experiência do Banco Palmas, em Fortaleza (CE), a comunidade resolveu arregaçar as mangas e partir para o empreendimento que traria um enorme bem à comunidade - e daí já surgiu o nome do banco e da moeda social, o Bem. O montante inicial, de nove mil reais, foi disponibilizado por um grupo de empresários de Vitória que se interessou pela iniciativa.

Leonora caracteriza o Banco Bem como um divisor de águas. "Em uma região de pessoas de baixa renda, com uma série de dificuldades, o banco foi um divisor de águas. Possibilitou a essas pessoas acesso a serviços e bens que elas não tinham antes", afirma.

Um dos principais fatores que diferenciam um banco comunitário é sua gestão, que é realizada por todos da comunidade. Surgiu também uma importante mudança: segundo Leonora, o banco acabou se tornando "um mentor da organização comunitária, que hoje tem condições de discutir saúde, educação, meio ambiente, destino do lixo, e várias outras questões", declarou, indicando o desenvolvimento sócio-cultural da região.

A gestão do Banco Bem se dá por meio do Fórum Bem Maior, que define critérios e estrutura de formatação do banco, política de crédito, juros e outras questões de fundo. "Aqui, a comunidade é dona do Banco Bem", corrobora Leonora.

Os moradores decidiram que o crédito para consumidor seria de, no máximo, 50 bens, e a taxa de juro seria zero. Já as linhas de crédito produtivo e habitacional, têm teto de empréstimo de cinco mil bens ou reais, com juros de 0,5 até 1%.

Outra decisão do Fórum foi trabalhar com a "política da vizinhança". Para conseguir um crédito, o solicitante precisa do apoio dos vizinhos, que serão consultados por agentes do Banco Bem. As propostas de crédito produtivo e habitacional também passam pelo Comitê de Análise de Crédito, mas não há consultas aos sistemas tradicionais de proteção ao crédito.

A linha de crédito habitacional funciona por meio do Programa Bem Morar. As casas têm custo reduzido - cerca de 25% a menos que as construídas pelo poder público - e utilizam ao máximo as tecnologias sustentáveis. Uma exigência para a concessão de crédito é que se contrate mão de obra da própria comunidade.

No âmbito do crédito produtivo, Leonora aponta que aproximadamente 80 comércios locais e produtores aceitam a moeda social Bem nas comunidades. Ela cita o desenvolvimento bastante forte do comércio, seguido pelo da área de produção e a de serviços, ainda incipiente.

Hoje, o empreendimento de maior sucesso confecciona peças íntimas. Porém, há muitos outros, como padarias, mercearias, uma empreendedora que loca brinquedos infantis em uma praça da comunidade, uma farmácia, uma loja de jóias etc.

Uma das formas de incentivar a população a comprar na própria comunidade, para que a riqueza possa circular, é o desconto entre 2% e 10% que os comerciantes aceitam conceder aos clientes que comprem em Bem. Isto é definido no momento da concessão do crédito produtivo e é mais uma decisão da comunidade, por meio do Fórum Bem Maior.

Com o objetivo de estimular ainda mais a comunidade a participar, o Fórum criou o Bem Clube, um título de capitalização. A pessoa investe R$1 por mês e participa do sorteio mensal de 25 bens a cada plenária do Fórum.

Outra vantagem do banco é que ele funciona ainda como correspondente bancário da Caixa Econômica Federal. Assim, os moradores podem utilizar o Bem para pagar contas e, se quiserem, também podem receber benefícios como o Bolsa Família em Bem.

Para conhecer mais o Banco Bem, visite o site do Ateliê de Ideias http://www.ateliedeideias.org.br/n1.html

As matérias sobre Finanças Solidárias são produzidas com o apoio do Banco do Nordeste (BNB).


* Jornalista da ADITAL





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