Sexta-Feira, 24 de maio de 2013
Haiti por si_
25.05.11 - MUNDO
[Juan 14, 15-21] Não estamos órfãos
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José Antonio Pagola *

Adital -
Uma Igreja formada por cristãos que se relacionam com um Jesus mal conhecido, pouco amado e apenas recordado de forma rotineira, é uma Igreja que corre o risco de ir-se extinguindo. Uma comunidade cristã reunida em torno de um Jesus apagado, que não seduz nem toca os corações, é uma comunidade sem futuro.

Na Igreja de Jesus necessitamos urgentemente uma qualidade nova na nossa relação com Ele. Necessitamos de comunidades cristãs marcadas pela experiência viva de Jesus. Todos podemos contribuir para que na Igreja se sinta e se viva Jesus de forma nova. Podemos fazer que seja mais de Jesus, que viva mais unida a Ele. Como?

João recria no seu evangelho a despedida de Jesus na última ceia. Os discípulos intuem que dentro de muito pouco lhes será arrebatado. Que será deles sem Jesus? A quem seguirão? Onde alimentarão a sua esperança? Jesus fala-lhes com ternura especial. Antes de deixá-los, quer fazer-lhes ver como poderão viver unidos a Ele, inclusive depois da Sua morte.

Antes de mais nada, tem de ficar gravado nos seus corações algo que não hão de esquecer jamais: «Não os deixarei órfãos. Voltarei». Nunca se sentirão sozinhos. Jesus fala-lhes de uma experiência nova que os envolverá e lhes fará viver porque os alcançará no mais íntimo do seu ser. No os esquecerá. Virá e estará com eles.

Jesus não poderá já ser visto com a luz deste mundo, mas poderá ser captado pelos Seus seguidores com os olhos da fé. Não deveremos cuidar e reavivar muito mais esta presença de Jesus ressuscitado no meio de nós? Como vamos trabalhar por um mundo mais humano y una Igreja mais evangélica se não O sentimos junto a nós?

Jesus fala-lhes de uma experiência nova que até agora os Seus discípulos não conheceram enquanto o seguiam pelos caminhos da Galileia: «Sabereis que Eu estou com o Meu Pai e vós comigo». Esta é a experiência básica que sustenta a nossa fé. No fundo do nosso coração cristão sabemos que Jesus está com o Pai e nós estamos com Ele. Isto muda tudo.

Esta experiência está alimentada pelo amor: «Ao que me ama… Eu também o amarei e me revelarei a ele». É possível seguir a Jesus tomando a cruz cada dia, sem amá-lo e sem nos sentirmos amados profundamente por Ele? É possível evitar a decadência do cristianismo sem reavivar este amor? Que força poderá mover a Igreja se O deixamos apagar? Quem poderá encher o vazio de Jesus? Quem poderá substituir a Sua presença viva no meio de nós?

[Publicado por Eclesalia em espanhol. Tradução para português de Portugal: Antonio Manuel Álvarez Pérez. NdE: Adaptação para o português do Brasil].


* Teólogo e biblista espanhol





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