Quarta-Feira, 19 de junho de 2013
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13.07.11 - CHILE
Shopping igual a templos é vitória do capitalismo, afirma Jung Mo Sung
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Adital -
"Quando o foco está no mal, no shopping, faz mal mostrar às pessoas pobres... Hoje as pessoas vão ao shopping center, não ao templo, e os arquitetos constroem centros comerciais similares a catedrais. Esta é a vitória do capitalismo", afirmou Jung Mo Sung durante sua conferência "Crítica teológica à economia", na sessão de abertura das Jornadas Teológicas do Cone Sul e Brasil, que ocorre desde ontem (12) na Universidade Católica Silva Henríquez, em Santiago de Chile.

O economista e cientista da religião sul-coreano, que vive no Brasil, criticou àqueles que qualificaram de insuficiente quando o ex-presidente brasileiro, Lula da Silva, disse que um de seus propósitos era que cada brasileiro tivesse três refeições diárias.

"Todas as soluções possíveis têm contradições. Rotulavam Lula como um governante neoliberal porque não rompeu com o capitalismo", sustentou nas Jornadas diante de 300 participantes que, procedentes de Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai, Chile e outros países, refletem sobre os 50 anos do Concílio Vaticano II e o posterior surgimento da Teologia da Libertação na América Latina a partir da Conferência Episcopal de Medellín.

"Quando se exige a perfeição, se semeia a frustração", acrescentou Jung Mo Sung, quem recordou que hoje em muitas partes do mundo há pessoas que vivem em três tempos econômicos da humanidade: na economia agrícola onde a posse da terra era o central, na economia industrial surgida em 1750, e na atual economia da globalização e do conhecimento.

O especialista sustentou que os habitantes do mundo globalizado vivem hoje seduzidos pelas promessas da economia neoliberal convertidas em modelo, mas advertiu aos teólogos a não usar o conceito de libertação de uma dependência sem ter consciência de que a libertação plena não ocorre, que está fora da história.

"O ser humano tem sempre dependências. É inumano pensar que não as terá. É necessário aprender a viver com as limitações humanas. Devemos pensar em situações possíveis com contradições a serem manejadas. Por exemplo, deve-se aceitar a necessidade de grandes empresas, mesmo que com uma ética de controle social dentro de uma prática que aponte a metas possíveis e viáveis que reconheçam os limites da história", indicou.

Ao falar do debate sobre o conceito de utopia, Jung Mo Sung advertiu a necessidade de pôr-lhe conteúdos.

"Os desejos de fazer justiça não bastam, mas é necessário indagar como fazemos justiça. Necessitamos conteúdos e não só críticas gerais que imobilizam", destacou.

Sobre o cristianismo, o teólogo e economista sul-coreano sustentou que "é uma crítica radical aos sistemas que sacrificam vítimas inocentes".

Por Orlando Milesi, jornalista da Agência ANSA






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