Sexta-Feira, 24 de maio de 2013
Haiti por si_
13.07.11 - CHILE
"Manobra do poder" por trás do escândalo Karadima
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Adital -
No escândalo do caso do sacerdote Fernando Karadima, condenado pelo Vaticano por casos de abusos sexuais, o qual é investigado pela justiça chilena, "houve um pano de fundo de manobras de poder social e econômico, assim como a falta de transparência dos altos clérigos vinculados a essa instituição (a paróquia El Bosque), de onde saíram cinco dos últimos bispos nomeados pelo Vaticano, com esse mesmo critério de segurança do +poder eclesiástico+, na igreja chilena", afirmou o teólogo Antonio Bentué.

"É evidente o desprestígio que tudo isso leva consigo e que reflete no baixo apreço pela igreja católica do Chile por parte dos cidadãos, o qual caiu, segundo as últimas estatísticas, de mais de 70% de aprovação a menos de 50%, atualmente", expressou o teólogo ao expor suas reflexões sobre a recepção do Concílio Vaticano II no Chile, durante as Jornadas Teológicas do Cone Sul e Brasil, que acontece na Universidade Católica Silva Henríquez.

Bentué cree, empero, que para la Iglesia la "dolorosa situación" provocada por el caso Karadima puede ser "un momento crucial del que el Espíritu se sirve para hacer sentir su llamado a dejar de lado el modelo eclesiástico de poder clerical, con todo su aparataje económico de alto status, y +convertirse+ a esa +opción por los pobres+ que significó para América Latina el aterrizaje del Concilio en el Sínodo de Medellín".

Bentué acredita, no entanto, que para a Igreja a "dolorosa situação" provocada pelo caso Karadima pode ser "um momento crucial do qual o Espírito se vale para fazer sentir seu chamado de deixar de lado o modelo eclesiástico do poder clerical, com todo seu aparato econômico de alto status, e +tornar-se+ uma opção pelos pobres que significou para a América Latina a chegada do Concílio na Conferência de Medellín".

O teólogo propôs, mesmo assim, que a igreja chilena enfrenta hoje uma especial urgência em definir sua relação com o povo mapuche, etnia majoritária entre os indígenas desse país.

Recordó al respecto que en la mal llamada "pacificación" de la Araucanía emprendida por el Estado chileno y que dejó profundas huellas en el pueblo mapuche participaron sacerdotes y religiosos chilenos. Bentuésubrayó, empero, el rol cercano al pueblo mapuche desarrollado por otros sacerdotes como Fernando Díaz y el reciente rol mediador asumido en graves conflictos por el arzobispo de Santiago Ricardo Ezzatti.

Relembrou a respeito da chamada "pacificação" de Araucanía, empreendida pelo Estado chileno, e que deixou profundos traços no povo mapuche, da qual participaram sacerdotes e religiosos chilenos. Bentué destacou, no entanto, a papel desenvolvido junto ao povo mapuche por outros sacerdotes, como Fernando Díaz e o recente papel de mediador assumido, em graves conflitos, pelo arcebispo de Santiago, Ricardo Ezzatti.

Entretanto, o teólogo afirmou que "está muito longe ainda da abordagem pastoral e teologia da igreja chilena ser um verdadeiro diálogo inter-religioso com os mapuches.

"Muitos deles sentem-se mais próximos de sua própria religiosidade ancestral do que do cristianismo que, em boa parte, lhes foi imposto pela cultura +winka+ vencedora. Parece normal, portanto, que o diálogo inter-religioso que nos toca mais proximamente não seja com os budistas ou muçulmanos, que são minoria no país, mas sim com a religiosidade viva dos nossos indígenas, a quem não podemos meramente considerar como uma variante especial da religiosidade popular católica", declarou Bentué.

Acrescentou que, assim como os mapuches querem ser reconhecidos como um povo diferente por parte da cultura chilena, persiste "a nostalgia e vivência religiosa que experimentam segundo sua tradição ancestral pré-cristã que requer também ser levada seriamente em conta pelas igrejas próprias das maiorias winkas".

Por Orlando Milesi, jornalista da Agência ANSA






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