O que se tem conseguido com o Tratado é gerar maiores níveis de dependência das importações dos Estados Unidos, afirmou Ramos ao avaliar os resultados do quinquênio de vigência do acordo.
Ramos, do Centro de Pesquisas sobre Investimento e Comércio, assegurou que o TLC deixou mais vulnerável a soberania política, econômica e alimentar do país.
Ele explicou que o acordo foi incapaz de ser o motor de desenvolvimento da economia salvadorenha, com níveis inclusive de diminuição do crescimento, e também não foi capaz de amortecer os impactos da grave crise internacional desencadeada em 2008 nos Estados Unidos.
Sobre o comércio, Ramos assinalou, em uma entrevista para a Rádio Nacional, que mais importante que o aumento das exportações é o grande crescimento das importações de produtos da potência do norte.
Indicou que os investimentos estrangeiros não chegaram até o setor agropecuário para propiciar seu desenvolvimento, como se disse há cinco anos, mas sim até setores que não são estratégicos para as maiorias do país.
Ramos detalhou que o setor financeiro registrou 348 por cento de incremento dos investimentos estrangeiros nos cinco anos de vigência do TLC.
Ele acrescentou que, por outro lado, o setor agrícola salvadorenho apenas recebeu 0,6 por cento do investimento estrangeiro direto, sendo nulos os investimentos de 2007 a 2009, de acordo com o Banco Central de Reserva (BCR).
O pesquisador resumiu que esses recursos foram destinados a certos setores dominados por "poucas mãos", grandes empresas nacionais e transnacionais.
Ele recordou que, no momento de negociar o acordo, não se levou em conta as grandes diferenças entre as economias dos Estados Unidos e do restante dos países, o que impede a competição em condições de igualdade.
O TLC trouxe benefícios, mas não para a maior parte do povo salvadorenho, apenas para uma pequena parcela, os setores dominantes do país, disse.
O pesquisador assegurou que é necessário substituir a política comercial neoliberal, baseada no princípio unicamente de favorecer os interesses do grande capital, nacional e transnacional.
Ramos afirmou que o melhor seria eliminar o TLC, não revisá-lo.
A notícia é de Prensa Latina