Sexta-Feira, 24 de maio de 2013
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06.04.11 - MÉXICO
ONU critica impunidade do tráfico de pessoas
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Camila Queiroz *

Adital -
O Comitê de Direitos dos Trabalhadores Imigrantes das Nações Unidas, reunido em Genebra, no último dia quatro, criticou a situação de impunidade do tráfico de pessoas no México. Na próxima sexta-feira (8), o órgão deverá divulgar sugestões para que o país solucione o problema, nos marcos da Convenção sobre a Proteção dos Direitos de Todos os Trabalhadores Imigrantes e dos Membros de suas Famílias, da qual é signatário desde 1999.

"Está claro que no México existe o chamado ‘negócio da imigração' e resulta altamente preocupante que o Governo não tenha feito progressos evidentes para processar os responsáveis pelo delito de tráfico de pessoas", afirmou o relator do informe sobre o México, Francisco Carrión Mena.

Para o Comitê, houve um "recrudescimento" das violações dos direitos humanos dos imigrantes, que sofrem extorsões e sequestros por parte de organizações criminosas relacionadas com o narcotráfico. Usados como mulas, são obrigados a transportar drogas, expondo-se a diversos riscos. O número de sequestros no México, 11 mil por ano (apenas dados oficiais), também foi alvo de críticas do Comitê.

Dentre os fatores que impedem o fim do tráfico de pessoas, o órgão citou a corrupção, já que o tráfico é bastante lucrativo e funcionários do governo, em nível local, acabam se envolvendo nas redes, estimadas em mais cem, de acordo com dados do Instituto Nacional de Imigração do México.

Segundo o Escritório das Nações Unidas para o Controle das Drogas e a prevenção do Delito (ONUDD, na sigla em espanhol), o tráfico de imigrantes no México obteve lucros de cerca de 6,66 bilhões de dólares em 2010, maiores que os do narcotráfico.

O funcionário do escritório, Antonio Mazzitelli, afirmou que o tráfico de ilegais para os Estados Unidos é maior do que o tráfico de cocaína oriunda da Colômbia. De acordo com o ONUDD, cada imigrante pagaria de mil a dois mil dólares para cruzar a fronteira com os Estados Unidos; os centro-americanos desembolsariam valores ainda mais altos.

Por sua vez, o México admitiu a dimensão do problema e se comprometeu a combater o tráfico de pessoas de acordo com as medidas que o Comitê da ONU irá sugerir.

O chefe da delegação mexicana e comissionado do Instituto Nacional de Imigração do México, Salvador Beltran del Río, ressaltou que 966 pessoas envolvidas com o tráfico de imigrantes foram detidas e 602 foram sentenciadas por tráfico de ilegais, além disso, oito pessoas relacionadas ao massacre de imigrantes ocorrido no ano passado, em San Fernando, estado de Tamaulipas, foram presas. O comissionado lembrou que a Lei de Imigração está em discussão no Congresso.

Ele comentou ainda que a fronteira com os Estados Unidos, destino dos imigrantes, influi sobre o tráfico de pessoas. "Doze milhões de mexicanos residem nos Estados Unidos e anualmente se dirigem a este país 500.000 mexicanos e 150.000 pessoas, a maioria delas centro-americanas em condição ilegal", explica. Beltran del Río acrescentou ainda que no México residem um milhão de estrangeiros.

Com informações de agências


* Jornalista da ADITAL





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