O assassinato de Manoel Mattos, ativista de direitos humanos e vice-presidente do Partido dos Trabalhadores do Estado de Pernambuco, foi uma consequência previsível do fracasso das autoridades em combater o flagelo dos grupos de extermínio e da corrupção policial no Nordeste do Brasil, declarou nesta segunda-feira (26) a Anistia Internacional.
No dia 24 de janeiro, dois homens encapuzados invadiram a residência de Manoel Mattos e o alvejaram com tiros no peito à queima-roupa. Mattos vinha recebendo frequentes ameaças de morte por causa de seu trabalho de denunciar assassinatos e abusos cometidos pelos grupos de extermínio no Nordeste brasileiro. Apesar das ameaças, a Polícia Federal recentemente suspendeu a proteção que ele estava recebendo, alegando acreditar que essa proteção não seria mais necessária.
"O assassinato de Manoel Mattos evidencia o fracasso duplo das autoridades federais e estaduais em proteger efetivamente as pessoas que estão na linha de frente da luta por direitos humanos, combatendo o flagelo dos 'esquadrões da morte' e das milícias comandadas por policias ou por ex-policiais", disse Tim Cahill, pesquisador da Anistia Internacional sobre o Brasil.
A Anistia Internacional pede que a Polícia Federal brasileira inicie imediatamente uma investigação sobre o assassinato de Manoel Mattos e sobre as circunstâncias que levaram à suspensão de sua proteção. É crucial que esse caso seja tratado no âmbito federal como parte de uma investigação mais ampla sobre as atividades de grupos de extermínio no Nordeste do Brasil.
A organização pede ainda que as autoridades brasileiras anunciem o quanto antes como começarão a atender as recomendações da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Congresso Nacional sobre as atividades dos grupos de extermínio que atuam no Nordeste do país, a fim de acabar com as atividades dessas gangues criminosas na região.