Acesso à água: um direito humano. A
Declaração Universal dos Direitos à Água será respeitada na Rio+20?...
O 6º Fórum Mundial da Água foi realizado em
Marselha, na França, entre 12 e 17 de março de 2012, e reuniu representantes de
agências da ONU, ministros, prefeitos, legisladores e representantes da
sociedade civil. Ao final, foram feitas mais de 1,4 mil propostas, que podem
ser conferidas no site http://www.solutionsforwater.org/. A próxima edição acontecerá na Coreia do Sul, em 2015.
Durante o evento, a Organização das Nações
Unidas (ONU) divulgou a 4ª edição do Relatório sobre o Desenvolvimento dos
Recursos hídricos no mundo (publicado de 3 em 3 anos), que é produzido por 28
organizações dentro do sistema (UN-Water).
A análise aponta a relação dos recursos
hídricos com segurança alimentar, mudanças climáticas, produção de
biocombustíveis, no contexto de um horizonte de aumento populacional mundial,
quando deveremos ser 9 bilhões, contra os mais de 7 bilhões atuais.
No documento, é preciso observar o contexto
da distribuição da água no mundo:
Praticamente 97,5% da água que existe no
planeta é salgada. Dos restantes 2,5%, dois terços estão em estado sólido, nas
geleiras e calotas polares, que são difíceis para aproveitamento. E grande
parte da que está em estado líquido, fica no subterrâneo. Já 0,26% se dividem
em lagos, lençóis freáticos e rios.
A demanda por água é predominante em quatro
atividades: a agricultura, a produção de energia, os usos industriais e o
consumo humano. A agricultura consome hoje 70% da água doce do mundo, e no ano
de 2011, 90% dos desastres naturais estavam relacionados à água.
Água & saúde
Cerca de 80% das águas residuais não são
recolhidas nem tratadas e seguem a outros corpos d'água (córregos, rios...) ou
se infiltram no subsolo, o que resulta em problemas de saúde na população e na
degradação ambiental.
A situação é grave, tendo em vista que 1,7
bilhão de pessoas não têm acesso a sistemas de saneamento básico e 2,2 milhões
morrem anualmente no mundo devido ao consumo de água contaminada. As doenças
mais fatais são a diarreia e a malária.
Água & escassez
Esse quadro combinado a questões
geográficas levam à escassez de água potável. Hoje os países que enfrentam
maior problema ficam na região da África Subsaariana, Oriente Médio e China.
Perspectivas para 2050
O alerta é o seguinte: Em 2050, há
estimativa de aumento superior a 70% da produção agrícola e 19% de seu consumo
mundial de água e de demanda mundial por alimentos também na faixa de 70%. No
campo da energia, o percentual de consumo deverá se elevar em 50% até 2035.
Relatório Maplecroft 2012
Em maio deste ano, foi lançado o relatório
da consultoria britânica de risco Maplecroft, que avaliou a pressão sobre a
demanda de água em mais de 160 países.
O resumo dos resultados foi o seguinte:
Os 10 países mais vulneráveis à falta de
água estão localizados no Oriente Médio e na África: Bahrein, Qtar, Kwait,
Líbia, Djibouti, Emirados Árabes, Iêmem, Arábia Saudita, Omã e Egito. Os
gigantes – China, Índia e EUA não escapam do problema em várias regiões.
O recorte da seca
E quando ampliamos o horizonte das nações
que sofrem com a seca, segundo a ONU, uma das situações humanitárias mais
difíceis é vivida no chamado Chifre da África (Quênia, Somália, Djibuti,
Etiópia e a região de Karamoja, em Uganda)
Perfil hídrico brasileiro
Um total de 12% da água superficial do
planeta está no Brasil, sendo 74% da mesma na região amazônica. As regiões com
maior adensamento populacional, como Sudeste e Sul, já enfrentam racionamento.
E no Nordeste, a situação é mais crítica com rios intermitentes.
Obs: 70% do Aquífero Guarani (águas
subterrâneas), com 1, 2 milhão de km2 – ficam em 8 estados brasileiros: Goiás,
Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa
Catarina e Rio Grande do Sul.
Em 05 de maio de 2012, houve o lançamento
do Pacto das Águas no Brasil São previstos R$ 20 milhões de investimentos
anuais no financiamento de ações nas principais bacias brasileiras, com
monitoramento e apoio dos órgãos federais. A iniciativa envolve convênios com a
Agência Espacial Brasileira (AEB) e o Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE). Deverá ser criado um sistema de informações sobre recursos
hídricos, com base no mapeamento por satélite dos rios e bacias brasileiras.
Rascunho do documento final da
Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20) –
versão de abril/2012:
O documento apresenta a preocupação das
nações com o fato de cerca de 1,4 bilhão de pessoas ainda viverem em extrema
pobreza e um sexto da população mundial estar subnutrida, e expostas a
pandemias e epidemias.
A questão central é a seguinte: o modelo de
desenvolvimento atual aumentou a tensão sobre os limites dos recursos naturais
e da capacidade de suporte dos ecossistemas. E um dos eixos principais desse
quadro de escassez são os recursos hídricos. Por outro lado, há o crescimento
da população nas próximas décadas em mais de um terço.
Probabilidade de propostas na
Rio+20
Acordos que viabilizem políticas públicas e
os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), que incorporariam o tema
água, a partir de 2015, quando expira os Objetivos do Desenvolvimento do
Milênio (ODMs), da ONU.
Um ponto que gera ainda polêmica: acesso à
água como um direito humano. O que antagoniza com a própria Declaração
Universal dos Direitos da Água.
No rascunho do documento final, os temas
que se destacam, além da água, são: África, biodiversidade, cidades, desastres
naturais, educação, energia, erradicação da pobreza, florestas, harmonia com a
natureza, montanhas, mudanças climáticas, inclusão social, oceanos e mares,
países insulares, países menos desenvolvidos, outros grupos e regiões com
dificuldades para implementar o desenvolvimento sustentável, químicos, saúde,
segurança alimentar, transporte e turismo sustentáveis.
O Programa das Nações Unidas para o Meio
Ambiente (PNUMA) lançou em 6 de junho,o
Panorama Ambiental Global 5 (GEO-5), o documento mais importante elaborado na área ambiental. Entre
os eixos de estudo estão a questão da purificação da água e tratamento, além de
doenças.
O levantamento durou três anos e foi
realizado por um grupo de aproximadamente 300 especialistas e chegou à
conclusão de que entre 90 metas internacionais para o meio ambienta, houve
avanços apenas nas de eliminação da produção e uso de substâncias que destroem
a camada de ozônio, na eliminação do uso de chumbo em combustíveis, no acesso
crescente a fontes melhoradas de água e em mais pesquisas para reduzir a
poluição do meio ambiente marinho.
Para refletir:
Água virtual – a relação de consumo
No contexto da situação da água no mundo,
há um importante indicativo de educação ambiental: o da água virtual ou oculta,
que é o volume de água necessário para a produção de um bem ou serviço, como
utilizado nas toneladas de alimentos comercializados pelo mundo. Deixo essa
mensagem a ser valorizada.
Fontes de consulta:
6º Fórum Mundial da Água.
Disponível em: http://www.worldwaterforum6.org/en/
4ª edição do Relatório sobre o
Desenvolvimento dos Recursos hídricos no mundo. Disponível em: http://www.unesco.org/new/fileadmin/MULTIMEDIA/FIELD/Brasilia/pdf/WWDR4%20Background%20Briefing%20Note_pt_2012.pdf
Panorama Ambiental Global 5 (GEO-5).
Disponível em: http://www.unep.org/GEO/
Draft 1 Rio+20 (até abril). Disponível em: http://vitaecivilis.org/home/images/stories/Docs/Documento_de_negociacao_com_texto_dos_co_presidentes%20_17_de_abril.pdf
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