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30.01.09 - Brasil
Povos indígenas denunciam descaso com a saúde em aldeias
Adital

Povos indígenas de diferentes etnias do Tocantins e Goiás, presentes no Fórum Social Mundial 2009, denunciam os descasos da saúde em suas aldeias e afirmam que a questão tem se agravado cada vez mais pela falta de médicos, medicamentos e assistência básica. O assunto seria levado à discussão numa mesa junto à Fundação Nacional da Saúde (Funasa), em evento organizado pela Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab).

A indígena Madalena, dos povos Kraô, do Tocantins, conta que, para que os (as) moradores (as) da aldeia tenham atendimento médico, precisam se deslocar até a cidade mais próxima. Quando chegam lá, é comum voltarem sem ser atendidos.

Juvenal Kraô, uma das 2.400 pessoas que formam a população da aldeia, afirma que a Funasa não atende a todas as necessidades dos povos, apesar de várias reuniões e acordos feitos. “A cada dia novas doenças surgem nas aldeias e não temos a devida atenção. A Funasa é muito lenta e não resolve nossos problemas”, disse.

Já Marli, dos povos Tapuia, de Goiás, tem seu próprio testemunho da qualidade dos serviços de saúde que é dedicada aos povos indígenas. “A gente tem que esperar muito. Eu descobri que estava com câncer e tive que pagar por um serviço. Se não tivesse pago, talvez minha situação tivesse se complicado”, fala.

Eles acrescentam que, além da falta de postos médicos nas aldeias, a saúde básica dos indígenas é esquecida. Falta de medicamentos e o acesso a transportes também contribuem para a crise da saúde dessa população.

Para Alderez, do povo Krahô Kanela, também de Tocantins, o Fórum Social Mundial é uma boa oportunidade para levar ao mundo as questões indígenas.  “É a primeira vez que participo. Acho que está valendo a pena gastar energia para ver possíveis resultados”, falou.

As matérias do projeto “Ações pela Vida” são produzidas com o apoio do Fundo Nacional de Solidariedade da CF2008.

Ana Rogéria, editora de Adital, de Belém (PA)

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