Não por acaso, o dia de ontem (28) foi escolhido por movimentos e organizações sociais do Brasil e do Haiti para a realização de diversas mobilizações em solidariedade ao país devastado por um terremoto em 12 de janeiro deste ano. As ações relembraram a data de 28 de julho de 1915, quando os Estados Unidos iniciaram a ocupação no país caribenho. Por este motivo, a principal bandeira levantada durante as manifestações foi o fim da ocupação militar.
A população do Brasil e do Haiti foi chamada a compreender que a presença da Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti - Minustah "protege a dominação e exploração dos capitalistas: é ela que organiza a dominação e garante a exploração". Para conseguir a libertação definitiva, trabalhadores, estudantes, sindicalistas, campesinos e demais parcelas da população foram convocadas a se levantar e estar à frente das mobilizações, das alianças e das batalhas.
No Haiti, estas manifestações foram impulsionadas por movimentos populares locais e pela organização sindical Batay Ouvriye (Batalha Operária). No Brasil, Coordenação Nacional de Lutas (Conlutas), Jubileu Sul, Sindicato dos Metroviários e Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) foram alguns dos organizadores das ações. Em solo brasileiro, as manifestações aconteceram em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília e Natal.
Em São Paulo, em frente ao Consulado do Haiti os manifestantes buscaram chamar a atenção para a situação de miséria e abandono em que haitianos e haitianas ainda permanecem, apesar das promessas de ajuda, vindas do mundo todo. Às 14h de amanhã (30), sexta-feira, o Cônsul haitiano receberá, em audiência, uma comissão formada por representantes da Conlutas e do Jubileu Sul para travarem um debate sobre o tema.
Em Belo Horizonte, a manifestação foi encabeçada pelo movimento de mulheres, movimento popular e estudantil do estado mineiro. As denúncias partiram de fatos como o aumento da violência contra a mulher, não só em Minas Gerais, mas no Brasil todo. Na ocasião, as organizações participantes chamaram à solidariedade com as mulheres haitianas, que também estão expostas e sofrem com a violência.
No Rio de Janeiro, a movimentação aconteceu em frente ao Itamarati. Na ocasião, foi entregue ao Centro de Informações das Nações Unidas, uma carta manifesto questionando a continuidade da situação de abandono do país caribenho e pedindo o fim do convênio com as tropas militares que seguem ocupando o Haiti. Uma ação de panfletagem e conscientização foi realizada na Central do Brasil.
De acordo com Sandra Quintela, integrante do Instituto Políticas Alternativas para o Cone Sul (PACS) / Rede Jubileu Sul, as manifestações tiveram boa receptividade da população carioca. "Sempre há um sentimento de solidariedade, as pessoas ainda são tocadas, por isso precisamos manter este sentimento vivo, pois a luta deles é a nossa luta e não podemos deixar a população haitiana sozinha neste momento".
Quintela defende que o Haiti precisa de ajuda, mas reforça que o protagonista da reconstrução deve ser o próprio povo. "Não são os artistas ou políticos que vão ao Haiti para se promover que devem protagonizar este momento. A reconstrução do país precisa ter como protagonistas os haitianos, haitianas e organizações do país".