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06.08.10 - América Central
Via Campesina se pronuncia contra políticas que violam soberania na região
Karol Assunção
Jornalista da Adital
Adital

Expansão de bases militares estadunidenses na América Latina e no Caribe, golpe de Estado em Honduras, sanção de leis que violam direitos trabalhistas e indígenas no Panamá. Esses foram alguns pontos lembrados pelas organizações da Coordenação Latino-Americana de Organizações do Campo (Cloc) – Via Campesina da América Central durante a reunião da Comissão Política, ocorrida nos dias 4 e 5 de agosto em Manágua, Nicarágua.

Em manifesto, as organizações declararam que estão preocupadas com a tentativa de instauração de políticas que violam a soberania do povo centro-americano. “Queremos fazer pública nossa preocupação pelo atual contexto que vive a região centro-americana, no qual mais uma vez o império em confabulação com governos servis querem implantar políticas que atentam contra a soberania e os direitos dos povos”, enfatizaram.

As organizações consideraram que a intenção do presidente estadunidense, Barack Obama, em instalar bases militares na região é apenas a “continuação das políticas de intervencionismo contra os povos” que os Estados Unidos já realizam há vários anos. Nesse aspecto, destacaram a entrada de militares estadunidenses na base Liberia, na Costa Rica, a qual funcionará como “centro operativo durante negociações preliminares e confidenciais”.  

Os participantes do encontro não demonstraram preocupação apenas com o avanço militar estadunidense na região, mas também com o aumento de políticas que violam os direitos dos povos centro-americanos. Exemplo disso é a situação enfrentada desde o ano passado pela população de Honduras.

No dia 28 de junho de 2009, Manuel Zelaya, então presidente constitucional do país, foi destituído através de um golpe de Estado que se prolonga até os dias de hoje. “O dito anteriormente reforça nossa exposição de que os Estados Unidos, a oligarquia hondurenha e as forças armadas são os responsáveis pela instabilidade política, social e econômica da região que se reflete na situação que se vive atualmente em Honduras”, comentaram.

As organizações também não se esqueceram da situação de panamenhas e panamenhos que, desde o mês de junho, lutam contra a Lei 30, também chamada de Lei Chouriço, sancionada pelo presidente do Panamá, Ricardo Martinelli. Tal norma, entre outros pontos, viola direitos trabalhistas, sindicais e ambientais.

Por conta desse contexto, as organizações de Cloc-Via Campesina que estiveram reunidas no Panamá, exigiram no manifesto: a retirada das tropas militares não só de Liberia, mas também da bases de Palmerola (em Honduras), de Comalapa (em El Salvador); a derrogação da Lei 30, assim como o fim da perseguição de líderes de movimentos e organizações sociais do Panamá; e o respeito à soberania do povo hondurenho, aos direitos humanos no país, e o retorno de Zelaya.

“Os delegados e as delegadas se comprometem a fortalecer a unidade da região centro-americana, respaldam as lutas que os povos irmãos estão desenvolvendo e reivindicam a luta pela soberania alimentar, a reforma agrária, a luta contra a mudança climática”, finalizaram.

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