O número de assassinato de pessoas transexuais na América Latina tem crescido e preocupado cada vez mais. Por este motivo, a Aliança Internacional está chamando defensores de direitos humanos, governos, agências internacionais e as entidades apoiadoras dos transexuais a reagirem contra os assassinatos e o preconceito.
Em carta aberta, a Aliança Internacional menciona a morte da jovem transexual Cheo, vitimada com uma facada no peito. O corpo da vítima foi encontrado na Colônia Alameda de Tegucigalpa, em Honduras. Este foi o primeiro caso de crime de ódio contra trans denunciado neste ano e caso nada seja feito muitos outros casos serão registrados daqui para frente.
"Não podemos continuar sendo testemunhas passivas dos assassinatos de uma população, que também vive sendo objeto de muitas formas de violência e exclusão. Não podemos seguir lendo as mensagens quase diárias das organizações trans comunicando mortes violentas sem reagir agora!”
Segundo dados da Transgender Europe, contidos na carta, entre janeiro e junho de 2010 foram denunciados nos meios de comunicação 93 assassinatos de trans no mundo, sendo que 74 casos ocorreram em países da América Latina. Os estudos sobre as características destes crimes de ódio mostram que existe um padrão de perseguição global e regional de violência e intimidação contra pessoas trans.
Outro dado preocupante é que em nações como El Salvador, México, Peru, Equador, Bolívia, Colômbia, Haiti e Caribe Anglófono os casos de perseguição e violência cresceram, assim como os assassinatos. Este panorama de crescimento dos casos vulnera cada vez mais a população trans e dificulta, inclusive, que entidades façam trabalhos de prevenção e tratamento de HIV/Aids e outras doenças sexualmente transmissíveis.
A Aliança Internacional entende que os governos não estão cumprindo com suas funções de desenvolver políticas públicas de proteção aos direito humanos e prevenção ao HIV/Aids se casos de crime de ódio contra transexuais continuam a acontecer e ficar na impunidade em muitos países.
Para denunciar esta situação que piora a cada ano, no ano passado a Aliança Internacional e a Stop AIDS Now! apresentaram para líderes de movimentos trans latino-americanos, em uma sessão sobre Direitos Humanos e Aids, dados que comprovam as violações dos direitos e o crescimento das perseguições e mortes. O Centro pela Justiça e Direito Internacional (Cejil) também se pronunciou e apresentou em uma audiência da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) uma pesquisa sobre os crimes de ódio, realizada em Honduras, Nicarágua e Costa Rica.
Ações de denúncia continuarão a acontecer neste ano. A Aliança Internacional assegura que a carta é apenas o início das iniciativas em favor dos transexuais e pede a ajuda de todas as organizações parceiras para aderirem a esta luta.
"Desde a Aliança Internacional pedimos urgência aos governos, aos legisladores, às agências internacionais, às organizações da sociedade civil que trabalham com Direitos Humanos, diversidade sexual, saúde e HIV/Aids, a coordenar urgentemente seus esforços para apoiar à comunidade trans nos países e exigir aos governos que garantam a proteção desta comunidade e a investigação de todos os casos”.
As matérias sobre direitos humanos são produzidas com o apoio da Prefeitura Municipal de Fortaleza
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