Em repúdio à situação de impunidade em que os criminosos se encontram, os manifestantes se reunirão hoje à noite no Centro Indígena de Capacitação Integral-Universidade da Terra (Cideci-Unitierra), no município de San Cristóbal de Las Casas, Chiapas, de onde sairão em caminhada amanhã, às quatro horas da manhã. Para as 18h está prevista chegada a comunidade de Yabteclum, município de Chenalhó.
No dia 22 a caminhada continua, a partir das cinco horas, até chegar à localidade de Majomut, município de Chamula, onde os participantes se reunirão com os/as companheiros/as da Sociedade Civil Las Abejas de Acteal, com a presença do bispo da diocese de Saltillo, frei Raul Vera López, e do bispo de San Cristóbal de Las Casas, Felipe Arizmendi.
"Com esta caminhada, queremos refletir e nos manifestar contra a impunidade que vivemos de norte a sul em nosso país, que se encontra em um acelerado processo de militarização, paramilitarização e descontrole social com uma estratégia executada por parte de Felipe Calderón (...) de guerra declarada contra o crime organizado cujas consequências foram, até o momento, mais de 70 mil vítimas entre assassinados e desaparecidos”, denunciam.
Massacre
Em 22 de dezembro de 1997, o grupo paramilitar Máscara Vermelha, ligado ao Partido Revolucionário Institucional (PRI), assassinou 45 indígenas tzotziles, na maioria mulheres e crianças, refugiados na comunidade de Acteal, município de Chenalló. Portando fuzis AK-47 e M-16, abriram fogo contra os indígenas, que estavam orando. A ofensiva durou mais de sete horas, a apenas 200 metros de uma delegacia de polícia.
À época, o governo do então presidente Ernesto Zedillo argumentou que o ataque ocorreu por parte de um grupo local que estava em disputa com os indígenas para formar o Conselho Municipal Autônomo de Polhó.
Já a comunidade ofereceu outra versão – por simpatizar com a causa do Exército Zapatista de Liberação Nacional (EZLN), passou a ser perseguida pelo governo, que organizou, em seus três níveis, grupos paramilitares contra a população, causando enfrentamentos que depois serviriam como pretexto para ataques aos zapatistas.
Apesar da brutalidade e de algumas pessoas terem sido presas, o caso encontra-se na impunidade. Em agosto de 2009, a Suprema Corte de Justiça da Nação considera que houve manipulação do sistema de justiça a favor do Estado.
Início