A Grande Marcha Nacional da Água, iniciada em 1º de fevereiro, no Peru, chegou nesta quinta-feira (9) na capital, Lima. A mobilização, que saiu de diversas partes do país e teve início em Cajamarca para pedir o fim do projeto mineiro Conga e o reconhecimento da água como um direito humano, além de outras demandas, realizará ainda uma série de atividades durante a sexta-feira.
Movimentos sociais, políticos e organizações ligadas à igreja se reuniram em Lima Norte para receber os cerca de dois mil manifestantes, que chegaram ao início da manhã, depois de percorrerem cerca de 900 km. Amanhã, a Marcha pretende ocupar as ruas de Lima em defesa da água e em repúdio ao projeto Conga, que ameaça afetar lagoas essenciais para a manutenção da vida em Cajamarca.
"Quem pensa que sem água nenhuma atividade humana é possível e que não se pode seguir danificando suas fontes e afirma que a água não é uma mercadoria, mas sim um direito de toda a pessoa humana e seu cuidado é uma grande responsabilidade, participem desta mobilização e acompanhem nossos caminhantes”, animam organizações peruanas.
Na sexta-feira será realizado, com a presença dos participantes da Marcha, o Tribunal Nacional de Justiça Hídrica. O objetivo deste espaço de debate será identificar e dar visibilidade aos conflitos hídricos no Peru, acompanhá-los e contribuir com ideias justas, pacíficas e democráticas para ajudar a encerrá-los.
Também com o intuito de terminar os conflitos relacionados aos recursos hídricos, os caminhantes, membros de 120 organizações sociais, chegaram à capital peruana com dois projetos de leis e uma proposta de reforma constitucional sobre a água. Um dos projetos diz respeito à oposição à mineração nas cabeceiras de bacias e o outro à proibição do cianureto e mercúrio na atividade mineradora.
Os projetos de iniciativa popular serão entregues assim que houver disposição do Governo para negociar e dialogar. Até o momento, a Marcha recebeu críticas e foi acusada de ser uma manifestação política e não técnica, posição defendida pelo premier Óscar Valdés em encontro com representantes do Acordo Nacional.
Já o ministro do Ambiente, Manuel Pulgar-Vidal, afirmou aos meios de comunicação nacionais que o tema da água, sua preservação e uso eficiente são prioridade para o Governo de Ollanta Humala e acrescentou que qualquer expressão política, pública e cidadã sobre o assunto é bem-vinda. O ministro disse estar disposto a receber representantes da Marcha, pois será uma oportunidade para debater a temática.
Pulgar-Vidal informou ainda que o Poder Executivo está interessado em promover um debate amplo com a participação de todos os setores comprometidos com o tema a fim de chegar a um consenso sobre uma política nacional de recursos hídricos.
Conga
O Projeto mineiro Conga, da transnacional Newmont-Buenaventura-IFC (Mineira Yanacocha), cujo objetivo é explorar ouro e cobre, foi suspenso temporariamente em novembro de 2011 pela empresa executora. A ação aconteceu a pedido do Governo e sob protesto da população de Cajamarca, que temia que a exploração mineira afetasse as cabeceiras de bacias na região onde nascem fontes de água.
Recentemente, o Governo anunciou que designou três especialistas internacionais para avaliar o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) do projeto. O Estudo já foi aprovado apesar de ter sido questionado pelo próprio Governo.
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