Entre os dias 20 a 27 de maio, em todo hemisfério sul, a Igreja Católica e as confissões ligadas ao Conselho Mundial de Igrejas realizam mais uma "semana de oração pela unidade dos cristãos”. Esse costume anual nasceu ainda no século XIX, por iniciativa de dois sacerdotes anglicanos e do papa Leão XIII. Este propôs que os católicos ligassem essa semana de orações pela unidade às preces novenais que invocam o Espírito Santo em preparação à festa de Pentecostes. Essa semana é marcada por cultos ecumênicos feitos por várias Igrejas diferentes que se reúnem para orar pela unidade e também por iniciativas de diálogo e de trabalhos em comum a serviço das grandes causas da humanidade. Entretanto, a proposta é que mesmo nas atividades do dia a dia, cada Igreja ore pela unidade e tente dar a seus cultos uma dimensão mais amorosa e acolhedora de outros modos cristãos de compreender e viver a fé. A proposta da unidade não é a uniformidade ou unificação institucional. É a unanimidade (unidade no espírito), ou seja, na diversidade das instituições eclesiásticas, das disciplinas, liturgias e até dos modos de pensar. No século III, São Cipriano de Cartago já afirmava: "A unidade abole a divisão, mas respeita as diferenças e se fortalece na diversidade”.
Nesse ano, o livro de subsídios para as orações durante a semana da unidade, a pedido do Vaticano e do Conselho Mundial de Igrejas, foi preparado e elaborado por comunidades cristãs da Polônia. No Brasil, esse material foi adaptado pelo Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC). Tem como tema uma palavra de Paulo: "Todos seremos transformados pela vitória de Jesus Cristo” (1 Cor 15, 51- 58). De fato, a ressurreição de Jesus pode provocar uma transformação nas Igrejas e no mundo e essa é meta espiritual do diálogo ecumênico e da colaboração entre as Igrejas cristãs: servir juntos para realizar no mundo o projeto divino de paz, justiça e comunhão com todo o universo, fruto do amor de Deus. As Igrejas são permanentemente chamadas a se converterem e aderirem a esse projeto maior. Ao se fechar em suas próprias tradições, uma Igreja se torna mais dogmática e sua hierarquia mais autoritária. Isso impediria a unidade entre seus próprios membros e o diálogo com as outras confissões cristãs. Todas as Igrejas são constantemente chamadas a obedecer ao evangelho, tornar-se sinais de comunhão fraterna para o mundo, abertas a todas as culturas e disponíveis para o serviço solidário a todos os seres humanos. Esse é o desafio e o caminho da unidade.
Início