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08.06.12 - Chile
Familiares de Executados Políticos: A homenagem a Pinochet não deve se realizar em paz
Adital

Alicia Lira, presidenta da Agrupação de Familiares de Executados Políticos (Afep), chamou todas as vítimas da ditadura para se manifestar no domingo pela manhã nos arredores do Teatro Caupolicán contra o ato de homenagem a Augusto Pinochet organizado por um grupo de ex-uniformizados.

"Nós não devemos, não podemos permitir que este ato, se realizado, aconteça em paz”, disse Lira, que esclareceu que ao aludir ao termo ‘em paz' se refere a ‘que não estejamos presentes com os rostos de nossos familiares, sejam desaparecidos, sejam executados políticos, mas também de milhares de chilenos que sofreram a fome, os ataques, a tortura”.

Na opinião da ativista, "este ato, mais do que exaltar a Pinochet, significa reivindicar todos os crimes que se cometeram pelos 17 anos”. Mireya García, vice-presidenta da Agrupação de Familiares de Detidos Desaparecidos, concordou que às organizações de direitos humanos "não nos interessa violência, não é nossa forma de atuar”.

"Nós nunca atuamos com violência. Nossos argumentos e nossa luta pela vida, pela verdade e pela justiça, são nossas armas, não temos outras”, afirmou García, que criticou as falas do porta-voz do ministro Andrés Chadwick, que afirmou que o Governo não teria faculdades para proibir a homenagem e a projeção do documentário "Pinochet”, do diretor Ignacio Zegers.

"Nossa família não morreu, nossas famílias não estão desaparecidas até hoje para que o senhor Chadwick venha libertar os violadores de direitos humanos para que realizem esta atividade", disse.

Possível queixa pela Lei de Segurança

Durante a jornada passada as agrupações de direitos humanos avaliaram junto ao advogado Eduardo Contreras a possibilidade de apresentação de uma queixa por infração à Lei de Segurança do Estado contra os organizadores.

O ato justificaria, segundo o profissional, a invocação dessa lei, que castiga aqueles que "façam a apologia de sistemas, de ideias, de propostas que se baseiem no crime”, dado que "não há um regime mais criminoso que a ditadura de Pinochet”.

"O que está sendo feito hoje, inclusive por pessoas pertencentes ao Governo, é a apologia ao crime. Isto se faz absolutamente aplicável à Lei de Segurança Interior do Estado, e assim o demando ao senhor ministro do Interior”, sentenciou o membro da Escola de Direito da Universidade Arcis.

Durante esta sexta-feira a Corte de Apelações de Santiago deve resolver os recursos cruzados que interpuseram os militares em retiro e organismos de direitos humanos; o primeiro exigindo proteção policial e o segundo solicitando a proibição do ato.

O Tribunal de Contas da Corte deve resolver se os recursos são admitidos a trâmite e se cabe revisar as ordens de não alterar o que vier incorporada em ambos.

No momento, os Carabineros [policiais], informou a Justiça e à Intendência Metropolitana, adotarão os "serviços preventivos pertinentes” e se fala de uma lógica do Plano Estádio Seguro: três anéis de segurança e ingresso somente com boleto em mãos.

Juan González, presidente da Corporação 11 de Setembro, que organiza o ato, criticou as intenções de intimidação, e afirmou que toda esta confusão se gerou porque há atores interessados em que não se conheça "a verdade” sobre a época de Allende e do regime militar.

A notícia é da Cooperativa.

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