Alicia Lira, presidenta da Agrupação de Familiares de Executados Políticos (Afep), chamou todas as vítimas da ditadura para se manifestar no domingo pela manhã nos arredores do Teatro Caupolicán contra o ato de homenagem a Augusto Pinochet organizado por um grupo de ex-uniformizados.
"Nós não devemos, não podemos permitir que este ato, se realizado, aconteça em paz”, disse Lira, que esclareceu que ao aludir ao termo ‘em paz' se refere a ‘que não estejamos presentes com os rostos de nossos familiares, sejam desaparecidos, sejam executados políticos, mas também de milhares de chilenos que sofreram a fome, os ataques, a tortura”.
Na opinião da ativista, "este ato, mais do que exaltar a Pinochet, significa reivindicar todos os crimes que se cometeram pelos 17 anos”. Mireya García, vice-presidenta da Agrupação de Familiares de Detidos Desaparecidos, concordou que às organizações de direitos humanos "não nos interessa violência, não é nossa forma de atuar”.
"Nós nunca atuamos com violência. Nossos argumentos e nossa luta pela vida, pela verdade e pela justiça, são nossas armas, não temos outras”, afirmou García, que criticou as falas do porta-voz do ministro Andrés Chadwick, que afirmou que o Governo não teria faculdades para proibir a homenagem e a projeção do documentário "Pinochet”, do diretor Ignacio Zegers.
"Nossa família não morreu, nossas famílias não estão desaparecidas até hoje para que o senhor Chadwick venha libertar os violadores de direitos humanos para que realizem esta atividade", disse.
Possível queixa pela Lei de Segurança
Durante a jornada passada as agrupações de direitos humanos avaliaram junto ao advogado Eduardo Contreras a possibilidade de apresentação de uma queixa por infração à Lei de Segurança do Estado contra os organizadores.
O ato justificaria, segundo o profissional, a invocação dessa lei, que castiga aqueles que "façam a apologia de sistemas, de ideias, de propostas que se baseiem no crime”, dado que "não há um regime mais criminoso que a ditadura de Pinochet”.
"O que está sendo feito hoje, inclusive por pessoas pertencentes ao Governo, é a apologia ao crime. Isto se faz absolutamente aplicável à Lei de Segurança Interior do Estado, e assim o demando ao senhor ministro do Interior”, sentenciou o membro da Escola de Direito da Universidade Arcis.
Durante esta sexta-feira a Corte de Apelações de Santiago deve resolver os recursos cruzados que interpuseram os militares em retiro e organismos de direitos humanos; o primeiro exigindo proteção policial e o segundo solicitando a proibição do ato.
O Tribunal de Contas da Corte deve resolver se os recursos são admitidos a trâmite e se cabe revisar as ordens de não alterar o que vier incorporada em ambos.
No momento, os Carabineros [policiais], informou a Justiça e à Intendência Metropolitana, adotarão os "serviços preventivos pertinentes” e se fala de uma lógica do Plano Estádio Seguro: três anéis de segurança e ingresso somente com boleto em mãos.
Juan González, presidente da Corporação 11 de Setembro, que organiza o ato, criticou as intenções de intimidação, e afirmou que toda esta confusão se gerou porque há atores interessados em que não se conheça "a verdade” sobre a época de Allende e do regime militar.
A notícia é da Cooperativa.
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