Terça-Feira, 18 de junho de 2013
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Cúpula dos Povos
21.06.12
[ Mundo ]
Movimentos sociais realizam ato contra a Vale a as grandes corporações
Adital
No final da tarde de ontem (20) os movimentos sociais participantes na Cúpula dos Povos realizaram um ato contra a transnacional Vale, em frente à sede da empresa, entre as ruas Santa Luzia e Graça Aranha, no centro do Rio de Janeiro.

Participaram do ato cerca de três mil pessoas dos movimentos sociais da Via Campesina, Marcha Mundial das Mulheres, entre outros. A ação foi coordenada pela Articulação Internacional dos Afetados pela Vale. A Vale foi eleita como alvo simbólico para representar as grandes corporações internacionais, cujas práticas faltam com respeito aos trabalhadores, degradam o meio ambiente e tiram dos povos o controle sobre os seus territórios.

"A Vale usa a mesma estratégia em todos os países do mundo. Em Moçambique são 1365 famílias que sofrem repressão desde 2004; a Vale viola os direitos dos trabalhadores ao não dá-los condições de segurança e higiene e já controla todo o centro-norte do território de Moçambique por meio da construção de uma ferrovia”, denuncia Jeremías Vunjanhe, militante da ONG Justiça Ambiental, a quem haviam impedido a entrada no Brasil na semana passada.

Além dos problemas sociais, os manifestantes deram ênfase aos impactos ambientais da empresa. "Estamos aqui também com um relatório de insustentabilidade, fruto de um ano de investigação e trabalho de fundo, para desmontar as declarações que a própria empresa faz em seu relatório de sustentabilidade”, afirmou o padre Dario Bossi, da Comissão Pastoral da Terra (CPT). Bossi citou como exemplos deste impacto a construção da usina hidrelétrica TKCSA, cuja contaminação foi demonstrada por estudos e que está interditada pelo Ministério Público, e a duplicação da ferrovia de Carajás, no norte do país, que ameaça duplicar os impactos já existentes do minério na Amazônia.

Scott, do sindicato do aço USW (United Steelworkers), do Canadá, denunciou as condições que enfrentam os trabalhadores da Vale em seu país. A empresa provocou a maior greve da história do Canadá, que durou 11 meses entre 2009 e 2010, porque usou a recente crise mundial como justificativa para realizar demissões em massa. "É uma vergonha”, afirmou. Somente este ano, no Canadá, já se contam 16 mortes de trabalhadores em operações da Vale.

Adelaide, do Movimento Xingu Vivo para Sempre, relatou o processo de privatização da Amazônia impulsionada pela construção da Usina de Belo Monte, cujo consórcio construtor conta com a presença da Vale. Larissa, da Marcha Mundial das Mulheres, denunciou a maneira como as obras de empresas como a Vale afetam especialmente as mulheres, com o aumento da prostituição e violência. Moisés, do Movimento dos Afetados por Represas (MAB, em português), denunciou o processo de criminalização do povo que luta contra as grandes empresas.

Durante o ato foi projetado um vídeo na parede do edifício da empresa com imagens de denúncia dos problemas causados pelas transnacionais. Os manifestantes também jogaram tinta vermelha contra o edifício para simbolizar o rastro de sangue deixado pela Vale e por todas as grandes corporações nos territórios onde atuam.

"As transnacionais são culpadas pelo atraso dos povos. Não podemos permitir que os ricos permaneçam ricos e os pobres permaneçam pobres”, afirmou Jairo Rubio, da Via Campesina na Colômbia.

A Vale, que está presente em 38 países da América, África e Ásia, foi eleita a pior empresa do mundo, por voto popular, no prêmio Public Eye Award.

A notícia é da CLOC – Via Campesina


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