"Mobilizemo-nos em defesa da democracia e da soberania do Paraguai e da Nossa América”. O chamado é da Articulação de Movimentos Sociais para Alba, que divulgou, nesta sexta-feira (22), um comunicado no qual convoca movimentos sociais a se manifestarem contra a tentativa de golpe de Estado no Paraguai. Assim como a Articulação, diversas organizações populares latino-americanas rechaçam a ação do Congresso do Paraguai e prestam apoio ao presidente paraguaio Fernando Lugo.
As manifestações dos movimentos populares partiram de vários países já na quinta-feira, logo após o mandatário paraguaio denunciar a tentativa de golpe de Estado. Notícias dão conta de que o Congresso nacional decidiu realizar, nesta sexta-feira, um "julgamento político” contra o presidente do país. A justificativa para tal julgamento seria o conflito entre camponeses e policiais ocorridos no último dia 15 em Curuguaty, o qual resultou em 17 pessoas mortas (11 camponeses e seis policiais).
Ontem mesmo, organizações sociais da América Latina - incluindo Via Campesina - divulgaram uma declaração em conjunto em que convocam "a mobilização popular em defesa da Democracia paraguaia” e pedem aos governos de outros países que realizem ações para garantir a democracia e o respeito aos direitos humanos no Paraguai.
"Pedimos que os direitos constitucionais e a integridade física do Presidente da República sejam respeitados, assim como também os direitos do povo paraguaio a se manifestar livremente em defesa de sua democracia”, destacam.
A Confederação Sindical de Trabalhadores e Trabalhadoras das Américas (CSA) também divulgou um comunicado em que se une à voz de outras organizações sociais em defesa da democracia no Paraguai. No documento, CSA convoca o movimento sindical internacional a se solidarizar com o país sul-americano.
Da mesma forma, a Associação Madres de Plaza de Mayo, Argentina, elaborou um comunicado repudiando a tentativa de golpe no país vizinho. "Apoiamos o povo paraguaio e o presidente Fernando Lugo em sua luta pela democracia e os direitos conquistados por seu governo”, afirma.
O Serviço Paz e Justiça na América Latina, por sua vez, destacou que "a tentativa de julgamento político é visivelmente uma estratégia política que busca anular as conquistas sociais de vários anos de lutas e resistências do povo paraguaio”.
Ao mesmo tempo em que rechaçam a tentativa de desestabilização da democracia paraguaia e convocam à mobilização popular, os movimentos sociais latino-americanos lembram e denunciam outros golpes – ou tentativas – ocorridos nos últimos anos na região, como a destituição de Manuel Zelaya da presidência de Honduras, em 2009; e a tentativa de golpe contra Rafael Correa, em 2010, no Equador.
Paraguaios/as vão à praça
As declarações de apoio a Fernando Lugo também estão nas ruas do Paraguai. Nesta sexta-feira (22), segundo informações de Telesur, cerca de 2.500 pessoas foram à Praça das Armas, em frente ao Congresso, para rechaçar o julgamento contra o mandatário paraguaio.
Os/as manifestantes chegaram ontem à tarde ao local e permanecem em apoio ao presidente e contra a tentativa de golpe de Estado. A expectativa é que pessoas de outras regiões do país também de desloquem para Assunção, capital paraguaia, para prestar solidariedade a Lugo.
A voz dos/as jovens
As juventudes latino-americanas reforçam o apoio ao povo paraguaio. No Brasil, o Levante Popular da Juventude expressa apoio ao presidente paraguaio através de cartazes postados no sítio eletrônico e no Facebook do movimento juvenil.
Já as Juventudes Comunistas do Chile divulgaram, nesta sexta-feira (22), uma declaração sobre a situação no Paraguai. No documento, declaram apoio às forças políticas progressistas e ao movimento campesino, e denunciam o Partido Colorado pela tentativa de golpe.
"Após 60 anos da mais brutal ditadura e cleptocracia direitista Colorada, a vitória da ‘Aliança Patriótica para as Mudanças' no ano 2008 marcou o começo de um complexo processo de transformação das instituições, da economia e da vida social do Paraguai. O fortalecimento das instituições, um exemplar desenvolvimento econômico, e a rearticulação do tecido social resultam conquistas fundamentais que hoje se veem na encruzilhada diante da infame manobra da oligarquia política e econômica do Partido Colorado e do aberrante oportunismo do Partido Liberal Radical Autêntico para exigir a renúncia de Fernando Lugo, presidente eleito democraticamente por ampla maioria do povo paraguaio”, destacam.
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