Para prestar solidariedade aos 11 indiciados pelos protestos durante o Xingu+23, o movimento Acampa Sampa Ocupa Sampa está organizando uma marcha e um ato público na cidade de São Paulo (Sudeste do Brasil), que vão acontecer na próxima quinta-feira (5). Os/as ativistas querem mostrar que mesmo longe estão unidos à causa da população que sofre com a construção da hidrelétrica Belo Monte, obra do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC).
O ato também pedirá o fim da repressão que hoje é fortalecida pela aliança entre o governo brasileiro e o capital financeiro, representado pelas grandes construtoras responsáveis por Belo Monte (Odebrecht, Camargo Correa e Andrade Gutierrez). Neste contexto, os/as ativistas vão sair às 17h30 do Parque da Luz em caminhada rumo ao antigo prédio do Departamento Estadual de Ordem Política e Social de São Paulo (DEOPS), onde hoje está instalado o Museu da Resistência.
Thiago Rosa, integrante do Acampa Sampa Ocupa Sampa, conta que a concentração em frente ao DEOPS é uma forma de lembrar que obras como a hidrelétrica Belo Monte foram pensadas durante uma ditadura militar, mas estão sendo executadas em um governo supostamente democrático. E que tal como acontecia no período militar, hoje quem se opõe aos planos do governo também sofre repressão. "Queremos fazer um paralelo com a repressão política que acontecia durante a ditadura”, diz.
Ele acrescenta que o objetivo das manifestações também é mostrar à população que Belo Monte não é bem isso o que o governo tem mostrado em propagandas.
"Nós queremos mostrar que, ao contrário do que a publicidade do governo mostra, a realidade de Belo Monte é diferente e não vai trazer mais empregos, educação, ganho econômico e desenvolvimento para a cidade e a população. Nosso trabalho é de formiguinha, temos pouco acesso à mídia, mas mesmo assim queremos mostrar a realidade e pedir o apoio da população afetada pelos mega-empreendimentos e por eventos como a Copa, pois o desrespeito aos direitos humanos se repete em todos os lugares, não só em Altamira”, explica.
Ontem (2), manifestação semelhante, organizada pelo movimento Xingu Vivo para Sempre, aconteceu em Cuiabá, no Mato Grosso. Ativistas e simpatizantes da causa se reuniram na Praça Alencastro, em frente ao prédio da Prefeitura para prestar solidariedade às 11 lideranças criminalizadas pelos protestos durante o Xingu+23.
Contexto
De 13 a 17 de junho o Movimento Xingu Vivo para Sempre (MXVPS) e parceiros realizaram em Vila Santo Antônio, a 50 km de Altamira, o Xingu+23 com a intenção de debater a resistência à Belo Monte. A iniciativa recebeu o apoio de ativistas, artistas, ambientalistas, estudante e mais uma gama de pessoas preocupadas com o meio ambiente e com a destruição que a construção da hidrelétrica irá causar.
Neste contexto de debates e manifestações foi que a Polícia Civil do Pará solicitou à Justiça a prisão preventiva de 11 pessoas que participavam do evento e dos protestos, acusando-as de roubo, formação de quadrilha, perturbação, além de outros crimes. Entre os indiciados estão integrantes e assessores do MXVPS, um padre que rezou uma missa durante o encontro, uma freira, um pescador que teve a casa destruída pelo Consórcio Construtor de Belo Monte (CCBM) poucos dias antes, missionários indigenistas e um documentarista de São Paulo.
A ação revelou os métodos do Consórcio Construtor e da Norte Energia para tentar enfraquecer a luta em prol do Xingu e contra Belo Monte, mas não atingiu seus objetivos, pois os movimentos e as populações atingidas continuarão em resistência e prometem que "toda ação deles terá uma reação nossa”.
Mais informações no site: http://15osp.org/
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