Os comentários sobre o texto final de Rio+20 soam críticos. Decepção, discurso vazio, falta de clareza em pontos centrais, propósitos vagos, resultados inexpressivos, mera formalidade, fracasso total, sem meta, sem compromisso, promessa vaga e inúmeras outras expressões formam o coro de frustrações. Então em que ou em quem esperar?
Caminhamos para a sociedade da práxis, diferentemente da letrada. Já não acreditamos em documentos escritos. Valem as decisões, as práticas, as reais transformações, os projetos exequíveis, os investimentos, as pesquisas objetivas e interpelativas.
Para os próximos anos, importa estabelecer progressiva e ininterruptamente objetivos do desenvolvimento sustentável, não no sentido de garantir a crescente produtividade e consumo do sistema, mas de atender as possibilidades do planeta Terra e da justiça social em relação aos excluídos da vida digna.
Em vez de apoiar-nos no poder, especialmente das nações ricas, que na realidade dispõem de muito menos poder que imaginamos, apostamos na sociedade civil e dentro dela nos grupos de cientistas e pesquisadores idealistas. Aqui também sofremos o terrível império do capital financeiro, que concentra os investimentos em pesquisas rentáveis a curto prazo em termos de consumo. Dificilmente investirão em estudos que lhes tirarão credibilidade e lhes impedirão a ciranda lucrativa.
Depois da enorme agitação e da quantidade de tendas, de conferências, de exibições, de folhetos e folders, de cartazes e banners provocativos, perguntamo-nos: que resta? O despertar e o aguçar da consciência coletiva a forjar nova cultura. Nela apostamos. Depois das aventuras pela práxis revolucionária em que a cultura se entendia como mera superestrutura decorrente, o saudoso Betinho repetia-nos: "Cultura só se muda com cultura".
A batalha se trava no campo cultural. Essa se forja por meio de símbolos, valores, ditos, propagandas, slogans, imagens. E as fornalhas principais em que ela se forja se chamam: família, escola, igrejas e, sobretudo, a mídia. A conversão maior que esperamos virá da mídia falada, televisiva, internética.
Temos chance nova. Mesmo quando a mídia comandada pelo capital não assuma a nobre causa da ecologia, porque lhe prejudica interesses imediatos, contamos hoje com a possibilidade ainda bem democrática dos blogs, sites, chats, MSN, facebooks e outras parafernálias do gênero. Se neste mundo soar forte o grito ecológico, a avalanche crescerá e o poder político se verá forçado a ouvi-lo. E o capital, pelo menos, diminuirá a ganância destruidora e se conformará a alguns dos quesitos exigidos.
O capital tem nome e pessoas por trás. Essas pertencem à natureza humana. Dificilmente o ser humano consegue destruir em si mesmo todo sentido de humanidade. Algo permanece. E contamos com a dimensão humana dessas pessoas.
Não partilhamos de nenhum maniqueísmo doentio. Toca-nos acordar e atrair cada vez mais pessoas para a maior causa do momento: manter a sustentabilidade e biodiversidade da Terra para que toda a humanidade viva com dignidade.
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