"Democratizar a produção cultural a partir da remuneração de agentes que já praticam cultura numa visão ampliada”. Essa é a proposta que movimentos e coletivos de cultura das periferias de São Paulo (SP) querem levar adiante sob o formato de "Política Municipal de Apoio à Cultura da Periferia”. Também chamada de "Bolsa Cultura”, a proposta pretende conceder mil bolsas de mil reais por mês, cada uma, para agentes culturais da periferia de São Paulo por um período de dois anos.
Bruno Veloso, coordenador-geral da Associação de Arte e Cultura Periferia Invisível, explica que o objetivo é incentivar as pessoas envolvidas no processo cultural. "A ideia é apoiar agentes culturais periféricos visando o agente, não o produto; é ajudar no processo [de criação]”, comenta.
A iniciativa surgiu a partir de um artigo sobre financiamento cultural produzido por Pablo Ortellado e Luciana Lima, professor e mestranda do programa de pós-graduação em Estudos Culturais da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (USP), respectivamente. De acordo com Bruno, após a discussão no âmbito acadêmico, grupos culturais da periferia começaram a se mobilizar e a discutir o assunto, chamando a atenção para as comunidades em que se encontram.
Depois de várias reuniões, os movimentos e coletivos culturais conseguiram formular a proposta do Bolsa Cultura no final do mês passado. Agora, segundo Bruno, é o momento de mobilizar a sociedade. Quem quiser colaborar com a proposta pode assinar o abaixo-assinado online apoiando a iniciativa e também ajudar na coleta de assinaturas presenciais.
A intenção também é aproveitar o período de eleições municipais deste ano para tentar discutir o assunto com candidatos/as à prefeitura. "Nós vamos tentar pautar com todos os candidatos a prefeito para que quem vencer a eleição leve o projeto adiante”, revela.
Para Bruno, o Bolsa Cultura é uma forma de fortalecer os movimentos culturais na periferia. "O Bolsa Cultura vem para dar mais força ainda, mostrar que a periferia consegue fazer cultura, fervilhar São Paulo e mostrar a cara para a sociedade e [para o] poder público”, comenta.
A proposta
O Bolsa Cultura prevê a destinação de mil bolsas no valor de mil reais mensais cada uma, durante dois anos, para agentes que já desenvolvem atividades culturais nas periferias da cidade de São Paulo. A ideia é selecionar agentes que tenham projetos viáveis e que já atuem na área cultural. A proposta é que a etapa eliminatória da seleção seja seguida de sorteio e que os/as beneficiados/as com a bolsa prestem contas através de relatório anual de atividades realizadas.
Acesse a proposta do Bolsa Cultura completa em: www.periferiaemrede.org. As discussões também ocorrem nas redes sociais. Para acompanhar, acesse: www.facebook.com/BolsaCultura
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