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09.07.12 - Honduras
Bajo Aguán: Ofensiva criminosa contra avanços na luta camponesa. Dois novos assassinatos e um plano para reverter sentença histórica
Giorgio Trucchi.
Rel-UITA (Unión Internacional de Trabajadores de la Alimentación, Agrícolas, Hoteles, Restaurantes, Tabaco y Afines)
Adital

Tradução: ADITAL

Não há paz para as famílias camponesas do Bajo Aguán. Por cada passo adiante na construção de um novo futuro, há uma resposta criminosa por parte das forças reacionárias, que pretendem manter o status quo existente e o controle absoluto na zona.

Dois novos assassinatos de camponeses e um plano para reverter a sentença histórica que deu posse de suas terras ao Movimento Autêntico Reivindicador do Aguán (Marca), parece ser a resposta aos recentes avanços da luta camponesa pelo acesso à terra.

O pequeno produtor e simpatizante do Movimento Unificado camponês do Aguán (Muca), Gregorio Chávez Aranda, de 69 anos, desapareceu de seu terreno no dia 2 de julho e foi encontrado sem vida quatro dias depois na fazenda Paso Aguán, que se encontra em poder do latifundiário e produtor de palma africana Miguel Facussé Barjum.

Nos dias precedentes, os agentes da segurança privada do latifundiário foram, suspeitosamente, retirados do lugar, enquanto as pessoas da comunidade Panamá ia para as ruas e tomava a zona, levantando sua voz ante desse novo crime, acusando aos agentes de segurança pelo assassinato.

No dia 7 de julho, Jacobo Erazo López, membro do Muca e ex-diretor da empresa camponesa Tranvía, do assentamento La Confianza, foi interceptado e assassinado com vários balaços por desconhecidos, enquanto se mobilizava para ir ao trabalho na comunidade Quebrada de Arena.

Com esses novos fatos sangrentos, sobe para 50 o número de camponeses organizados assassinados no Bajo Aguán, em pouco mais de dois anos e meio.

"Não cabe a menor dúvida de que se trata de uma nova investida contra o Muca e as demais organizações camponesas para reverter os avanços que tivemos quanto à luta pelo acesso à terra”, disse a Sirel, Yoni Rivas, secretário geral do Muca.

Rivas lamentou e condenou fortemente essas novas mortes e disse que o Muca está analisando a situação e estudando as medidas a ser tomadas para garantir a segurança de seus afiliados e afiliadas.

"Estamos sumamente preocupados ante essa onda de assassinatos que vem de novo enlutar as famílias camponesas do Bajo Aguán. Isso demonstra que os latifundiários não querem que se democratize o acesso à terra. Desde já, responsabilizamos a esses senhores e às instituições do Estado pelo que nos possa acontecer”, disse Rivas.

Em junho desse ano e, sob ameaça de desalojos massivos, o Muca e o Marca assinaram acordos com o governo para a compra de uns 4.600 hectares de terra aos latifundiários que plantam palma africana (Dendê) da zona. As 32 empresas camponesas que integram essas organizações deverão pagar um montante que supera os 32 milhões de dólares.

Tentam reverter a sentença

O diretor do Muca assegurou que existe uma relação direta entre esses novos ataques e a sentença histórica que, no passado 29 de junho restituiu ao Marca o direito de propriedade sobre quase 1.800 hectares de terra, assentando um importante precedente para todas as organizações camponesas do Bajo Aguán.

Agora, tudo indica que os latifundiários plantadores de dendê passaram à contraofensiva. José Trejo Cabrera, advogado do Marca, alertou sobre o uso do tráfico de influências e de pressões sobre os juízes e magistrados para reverter esse importante resultado.

"Em Honduras, a justiça está a serviço dos latifundiários. Demonstramos com os fatos que os camponeses têm razão e foram emitidas sentenças firmes que já foram executadas. No entanto, estamos vendo como os juízes são pressionados para que tornem essas sentenças sem valor e sem efeito, abrindo passo para novos desalojos contra as famílias do Marca”, asseverou o advogado.

Trejo fez um chamado à solidariedade internacional, para que continue atenta ao que possa acontecer nas próximas semanas.

Leia também:

Sentença histórica no Bajo Aguán

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