20.07.12
- Peru
Retrocessos marcam um ano de mandato de Humala, segundo balanço apresentado por organização
Natasha Pitts
Jornalista da Adital
Adital
Ontem (19), a Coordenadora Nacional de Direitos
Humanos (CNDDHH) do Peru apresentou um relatório em que faz um balanço dos
direitos humanos e avalia o primeiro ano de governo do presidente Ollanta
Humala. O documento, apresentado no Colégio Médico do Peru, em Lima, analisou o
período que vai de janeiro de 2011 a julho de 2012.
A apresentação teve a participação de Rocío Silva
Santisteban, secretária executiva da CNDDHH; Daniel Figallo, vice-ministro de Direitos
Humanos do Ministério de Justiça; Jo-Marie Burt, analista política da George
Mason University e de Jorge Aragón, analista político da Universidade da Flórida.
Em texto de apresentação do relatório, Rocío Silva chama atenção para o fato
que passado um ano do governo de Humala – sobre o qual havia muitas
expectativas positivas – hoje o que se constata é que está havendo simplesmente
uma "reedição de estilos políticos anteriores”, já que promessas de campanhas
foram substituídas por outras realidades.
Enquanto no período eleitoral se falava em
garantias de direitos humanos, inclusão, planos setoriais, plano nacional de
direitos humanos, hoje a realidade é diferente. O que se vê são mortes (até o
momento já foram 15 em diversos conflitos sociais), criminalização e prisão de
ativistas sociais, centenas de feridos em manifestações em virtude do uso de armamentos
letais pela polícia e as Forças Armadas, e ainda a implantação de estado de
emergência de alguns municípios peruanos.
Por conta de tudo isso, Peru vive um clima
constante de alta tensão social, já que a forma de atuar politicamente adotada
por Humala e de promover o crescimento e inclusão social da população - inclusão
esta mais econômica que política ou de direitos - passa por atitudes como
desprezar o diálogo efetivo com a população e impor projetos repudiados por
comunidades inteiras, como megaprojetos mineiros.
Rocío Silva relata que sensação que se tem hoje é
de déjà vu dos tempos da ditadura, com a
diferença de que agora se vive uma bonança econômica.
"A democracia é precária no
Peru, mas agora mais que nunca, a excepcionalidade se converte em regra
desordenando o incipiente processo de cidadania implantado após a ditadura
fujimorista”, analista a secretária executiva da CNDDHH.
Ela também chama atenção para a ânsia por
"desenvolvimento”, palavra a qual considera o "fetiche do capitalismo peruano”.
Apesar da tentativa de se falar para a população peruana em ‘desenvolvimento
sustentável’, ‘desenvolvimento integral’ ou mesmo ‘desenvolvimento humano’,
fica evidente que o que se quer é impor uma forma de vida pautada no consumo e
no aumento de gastos. Enquanto isso se despreza outras formas de vida como
agricultura orgânica e habitação comunitária.
Outra crítica presente no relatório é que situações
encaradas como conquistas muitas vezes são, na verdade, manobras que em nada
beneficiam a população.
Um exemplo é o regulamento da Lei de Consulta Prévia,
mecanismo que teve pouca participação de centrais e movimentos indígenas e que
é considerado pela Coordenadora Nacional de Direitos Humanos como uma maneira
de frear a própria possibilidade de consulta.
Estas são apenas algumas das queixas que ilustram o
primeiro ano de governo de Ollanta Humala. Mesmo diante disto, a CNDDHH aponta
a necessidade de seguir apostando na política (no melhor sentido da palavra),
na promoção de diálogos múltiplos e na criação de novas redes para a defesa dos
diretos humanos.
Mais informações em: http://derechoshumanos.pe/
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