Há pouco mais de uma semana, a Federação Internacional de Direitos Humanos (Fidh) e mais 17 organizações sociais de dentro e fora da Colômbia escreveram uma carta aberta ao presidente Juan Manuel Santos pedindo ao mandatário que tome medidas urgentes para proteger a integridade de defensores e defensoras de direitos humanos do país vítimas de ameaças de morte no início deste mês.
As ameaças foram feitas via e-mail, recebido no último dia quatro pelo Movimento Nacional de Vítimas de Crimes de Estado (Movice). Os alvos são 13 defensores/as de direitos humanos e figuras públicas da Colômbia ligadas à luta pela restituição de terras. O e-mail trouxe a foto de cada um dos ameaçados com um número de um a 13.
"13 guerrilheiros camuflados nos papeis de defensores de direitos humanos, 13 objetivos militares. Nosso exército tem instruções claras para dar baixa a estes malparidos que querem tirar a terra dos cidadãos de bem para dar aos guerrilheiros iguais a eles. Ficam advertidos e em conhecimento, pois temos plenamente identificados seus esquemas”, advertem no correio eletrônico.
A Federação e as demais organizações sociais que assinaram a carta ao presidente repudiam totalmente esta ameaça de morte feita para amedrontar e causar um terror psicológico nos ativistas pelos direitos humanos. Com base no informe de 2011 da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), as organizações alertam ao presidente que alguns assassinatos de defensores/as de DH praticados em 2011 foram antecedidos por ameaças e intimidações como esta.
Para que isto não aconteça, os/as ativistas demandam que sejam tomadas medidas urgentes de proteção aos ameaçados, mesmo os que já são beneficiados por medidas cautelares da CIDH. Pedem também melhoras estruturais nos programas de proteção a defensores em risco, garantindo sua independência e recursos financeiros e humanos suficientes. Outra reclamação é que sejam realizadas investigações independes e imparciais sobre as ameaças para identificar os autores.
Na carta, Juan Manuel Santos é felicitado por reconhecer a existência de grupos armados "anti-restituição” e agir para capturar alguns grupos responsáveis por ameaças a campesinos e campesinas que pedem a restituição de terras. No entanto, a situação pede ações mais contundentes que acabem definitivamente com os crimes contra ativistas pelos direitos humanos.
Um último apelo é feito a Juan Manuel Santos no sentido de que ele convoque uma reunião de emergência com os defensoras/as ameaçados e suas organizações.
Os defensores/as ameaçados de morte foram: Soraya Gutiérrez, vice-presidenta da FIDH; Yessica Hoyos, integrante do CCAJAR; Diego Martínez, secretário Executivo do Comitê Permanente pela Defensa dos Direitos Humanos (CPDH); Jeison Paba, integrante do CPDH e do Movice; Iván Cepeda; fundador do Movice; Franklin Castañeda, presidente da Fundação do Comitê de Solidariedade com os Presos Políticos (FCSPP); José Humberto Torres, advogado do FCSPP; Juan Díaz Chamorro e Pedro Geney, integrantes do Movice; Gloria Cuartas, integrante de Colombianos e Colombianas pela Paz; Ayda Quilcué, Conselheira Maior do Conselho Regional Indígena de Cauca (Cric); Lilia Solano, presidenta do Projeto Justiça e Vida, além da ex-senadora Piedad Córdoba.
Dados
Em 2011, a Colômbia perdeu 49 ativistas pelos direitos humanos e mais sete foram vítimas de desaparecimento forçado. Neste ano, 16 já foram assassinados, sendo a maioria destes ligados à luta pela restituição de terras e territórios.
Leia a carta na íntegra: http://www.fidh.org/Carta-abierta-a-Juan-Manuel-Santos
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