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23.07.09 - Brasil
‘Rios’ destacam problemas e soluções das Comunidades durante o 12º Intereclesial
Porto Velho - Adital

Muitas foram as discussões ontem (22) dentro da programação do 12º Intereclesial das Comunidades Eclesiais de Base, que acontece até sábado, em Porto Velho (RO). Os cerca de 3.000 participantes se dividiram em 12 pólos, batizados de “rios”, espalhados por toda a cidade. Meio ambiente, questão agrária, movimentos sociais, empoderamento das comunidades, urbanidade, o papel das CEBs, política...foram muitas as ideias, propostas e experiências trocadas neste momento.

A ADITAL acompanhou a “navegação” pelo “rio” Madeira, no Mojuca, da Paróquia Nossa Senhora das Graças. O encontro conduzido pelo padre Oscar Beozzo contou com 250 pessoas. Divididos, cada grupo embarcou numa “canoa”, que levava por diferentes temáticas, todas passando pela questão ambiental e atuação das comunidades em suas realidades. Ao todo, foram 12 canoas.

A Canoa 4, por exemplo, convidou o grupo a refletir sobre três perguntas: Quais os principais gritos e lutas presentes na Amazônia?; Qual a ligação destes gritos e lutas com os povos do Brasil, América Latina e Caribe?; e Onde você já percebe sinais de outro mundo possível?.

Nas apresentações finais, os participantes puderam expor suas percepções, angústias e soluções. Maria Salete, do Mato Grosso, afirmou que, em muitos casos, a luta pela questão da ecologia, da natureza, está individualizada. “É cada um querendo cuidar ali do seu espaço e não percebe que é um todo. Está tudo muito individualizado. Eu acredito que este momento seja de união e que este encontro seja um passo para que as pessoas possam ampliar essas discussões”, disse.

Sobre a atuação das CEBs, o participante Geraldo Salvador, do município rondoniense de Ji-Paraná, afirmou que a atuação das comunidades se faz urgente nesse momento. “É nesse jeito de ser Igreja que nós devemos continuar cada vez mais forte”, acrescentou.

Padre Beozzo, por sua vez, questionou o modelo de desenvolvimento neoliberal. “Devemos ter consciência de que esse modelo é fraco. Olha aí essa crise! A preocupação dele é com o lucro, não tem responsabilidade social”, afirmou.

Chamou também a atenção para consciência que se deve ter com a água como bem público e não privado. Lembrou que o uso privado da água chega a ferir os direitos humanos, não se importando com as pessoas.

Segundo ele, 70% da água doce estão indo para o agronegócio, para as plantações de soja, eucalipto, para os monocultivos que causam o desmatamento e deslocam comunidades inteiras. Outros 25% vão para a criação de gados. E apenas 5% vão para o consumo humano. “É preciso que a água seja de prioridade de uso humano”, disse.

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