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10.10.11 - América do Norte
María del Pilar Aquino chama atores religiosos a estudar processos de reconciliação para a construção da paz
Adital
Em seu compromisso com a construção da paz e a transformação dos conflitos, os atores religiosos e acadêmicos devem ir mais além da retórica e estudar o vasto legado teológico e retomar experiências exitosas de outros países. Essa foi a opinião de María del Pilar Aquino, em sua exposição durante a Jornada Teológica Região Norte.

Ao fazer a Conferência Magistral "A construção da paz: iniciativas religiosas para transformar conflitos religiosos”, ela disse que a credibilidade das religiões, incluído o cristianismo, dependerá de sua compatibilidade com as agendas que promovem a transformação das sociedades, culturas e religiões violentas no atual contexto de globalização capitalista patriarcal.

Lamentou que embora haja uma ampla retórica sobre a paz, não há processos tangíveis e realistas para consegui-la, por isso exortou acadêmicos, religiosas e religiosos a trasladar sua preocupação por novos modelos de sociedade, cultura e religião para os necessários processos para a transformação dos conflitos.

E explicou que a relevância da construção religiosa da paz depende das práticas religiosas que contribuem para eliminar a perversa injustiça social planetária, atendendo questões sociais como a justiça, os direitos humanos e o bem comum, onde, citando Charles E. Curran, "não existem duas moralidades diferentes para a vida neste mundo”.

Citando o Ministro nicaragüense, Miguel D’Escoto Brockmann, María del Pilar Aquino explicou que a perversa injustiça social planetária obedece à atual crise econômico-financeira, resultado de um modo egoísta e irresponsável de viver, de produzir, de consumir, de estabelecer relações entre nós e com a natureza o que implica também uma sistemática agressão à terra e a seus ecossistemas e a uma profunda assimetria social.

Por isso, insistiu, no marco teológico da libertação, as instituições religiosas e os discursos teológicos devem cessar em outorgar legitimidade às relações e sistemas sociais injustos, pois a transformação de conflitos e a construção de paz exigem alinhar práticas e pensamentos com o compromisso por erradicar a violência destrutiva.

Disse que os massivos enfrentamentos mortais exacerbados pelas dinâmicas da globalização capitalista deram lugar central ao militarismo, sob argumentos de segurança nacional ou a proteção de recursos e interesses geopolíticos ante ameaças internas ou externas.

Não obstante, sublinhou que "O militarismo e a indústria das armas são impulsionados pelos lucros” que mantêm a Estados Unidos, Rússia, Alemanha, França e Inglaterra como os maiores exportadores de uma indústria que reporta um crescimento de 50% com respeito aos últimos 10 anos, enquanto os países em desenvolvimento seguem sendo os maiores receptores de armas.

Citando David Barash e Charles Webel, María del Pilar Aquino assinalou que "Tomando em conta a imensa destrutividade da guerra mesma, em balanço, o saldo é empobrecedor; é essencialmente um parasita que consome as forças econômica e social das sociedades. Como todo parasita, debilita seu hóspede até que ele, ou ambos, morrem”.

Nesse contexto, a construção da paz se faz insuficiente se a realidade do mercado mundial das armas permanece sem ser abordado na prática e na elaboração conceitual da transformação de conflitos, agregou.

Os marcos da construção da paz buscam melhorar as condições e fomentar capacidades para atualizar sociedades que afirmem a dignidade humana, através da satisfação das necessidades humanas básicas e a proteção dos direitos humanos em ambientes sustentáveis, em contraposição das prioridades do atual capitalismo mundial, explicou a teóloga.

O anterior, disse, é particularmente importante no marco da Declaração do Parlamento das Religiões do Mundo (2010), que refere que "A credibilidade das religiões, incluindo o cristianismo, dependerá de quanto e em que medida sejam compatíveis com as agendas que promovem a transformação das sociedades, culturas e religiões violentas no atual contexto da globalização capitalista patriarcal”.

Finalmente, assinalou que os enfoques de Dom Helder Camara, Rubem Alves, Otto Maduro e Ignacio Ellacuría, entre outros, assim como a diversidade de trabalhos sobre violência, religião e conflito social, as Teologias da Libertação da América Latina e do Caribe precisam ser revitalizadas como legado de ensino sobre a transformação libertadora para a justiça e a construção da paz.

Sobre María del Pilar Aquino

Nasceu em Ixtlán del Río, Nayarit en 1956. É a primeira mulher católica mexicana que obteve um doutorado em teologia. De 1974 a 1983 fez parte da congregação de Irmãs Auxiliadoras, com quem viveu em um bairro da cidade do México enquanto iniciava seus estudos teológicos, que definiram sua compreensão da teologia "como força sócio-eclesial de transformação sistêmica que confronta as realidades de opressão e de violência com o objeto de atualizar as relações sociais livres de exploração e desumanidade”.

Trabalha em ambos os lados da fronteira entre México e os Estados Unidos, em um contexto plural, com pessoas de gerações, raças, classes sociais, orientações sexuais e afiliações religiosas diferentes, e tratando de integrar em seu pensamento suas buscas múltiplas e complexas.

http://jornadasteologicas.org

jornadateologica@gmail.com

Para mais informação: Gabriela Juárez (044553059 8485) e Adriana Colín (04455 5477 7249)

Fonte: Equipe de Imprensa da Jornada


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