A cacica geral Silvia Carrera, que negociou os acordos de março passado que colocaram fim a uma rebelião indígena contra reformas do código mineiro, responsabilizou o Governo pelas ações que os indígenas praticarem.
Em tal sentido, chamou o Executivo a cancelar o projeto e ordenar a retirada da empresa Genisa da área para evitar o ressurgimento de novos protestos por parte dos grupos indígenas que se opõem à construção.
"O que o Governo tem que fazer é cancelar o projeto e devolver o dinheiro que a empresa que constrói a hidrelétrica gastou para que a tranquilidade volte na comarca”, demarcou Carrera.
A empresa Genisa que constrói a hidrelétrica argumenta que esta se realiza fora da comarca, ainda que reconheça que 6,6 hectares indígenas são afetados.
Ante a explicação da companhia, a cacica segunda Mijita Andrade manifestou que ao represar o rio Tabasará, do qual dependem as comunidades, se afeta toda a área.
O presidente do Congresso Geral Tradicional da etnia Ngäbe Buglé, Celio Guerra, informou que são "13 longos anos de luta e batalhas legais contra a empresa, em que se realizou duas mesas de diálogo que fracassaram, o que permitiu que a empresa continuasse com os trabalhos em Barro Blanco”.
Durante o fim de semana, foram registrados enfrentamentos entre indígenas e as forças antimotins que tentaram desalojá-los do perímetro da hidrelétrica pela força.
Em fevereiro passado, a comarca Ngöbe Buglé protagonizou jornadas de protestos em várias cidades de seu país a favor de uma legislação que proteja seus territórios ancestrais, por isso pediram ao Governo a eliminação de concessões hídricas dentro de suas comarcas, das regiões anexas e dos territórios limítrofes.
A notícia é da TeleSUL
Início