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24.05.12 - Brasil
Organizações do Movimento Negro do Espírito Santo realizam assembleia neste sábado (26)
Karol Assunção
Jornalista da Adital
Adital

Neste sábado (26), o Movimento Negro do Espírito Santo, no Sudeste do Brasil, realizará uma Assembleia para avaliar o processo de diálogo com o Governo do Estado a respeito de políticas públicas de promoção da igualdade racial e para apresentar um calendário de lutas unificado contra o racismo. A atividade está marcada para começar às 8h na Casa dos Direitos "Ewerton Montenegro Guimarães” (Av. Paulino Muller, 200, Ilha de Santa Maria – Vitória).

De acordo com Luiz Inácio Silva da Rocha, coordenador do Fórum Estadual de Juventude Negra do Espírito Santo (Fejunes), a expectativa é reunir entre 150 e 200 pessoas de diferentes organizações do Movimento Negro do estado para "fazer um balanço do processo de diálogo com o Governo para a instituição de políticas públicas de promoção da igualdade racial”.

Segundo nota divulgada pelo Movimento, no dia 26 de março passado, Renato Casagrande, governador do Espírito Santo, decretou a "criação de um Grupo de Trabalho (GT) para discutir a institucionalização das políticas de igualdade racial no Espírito Santo”. O Grupo já teria sido anunciado desde novembro de 2011, mas a oficialização só foi conseguida em março deste ano, após mobilização das organizações.

Luiz Inácio explica que o Movimento Negro apresentou duas propostas ao Governo: a criação de uma Secretaria Estadual de Promoção da Igualdade Racial e de um Conselho Estadual da População Negra. De acordo com ele, os trabalhos do GT já se encerraram e agora as organizações aguardam uma resposta do Governo sobre as propostas. "A intenção da Assembleia é continuar mobilizando [o Movimento]”, revela.

Além disso, também está na pauta a discussão de um calendário unificado de lutas para fortalecer o combate ao racismo. "Uma das principais questões será sobre as cotas raciais. A Ufes [Universidade Federal do Espírito Santo] adotou o sistema de cotas sociais”, comenta.

O coordenador do Fejunes destaca dois pontos que chamam a atenção para a importância da discussão das cotas no estado: a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) pela constitucionalidade das cotas raciais em universidades públicas, tomada por unanimidade no mês passado; e um dado que mostra que o número de estudantes negros/as na Ufes não sofreu alteração significativa após a adoção das cotas sociais na Universidade.

De acordo com reportagem publicada no início deste mês pelo jornal A Gazeta, em 2007, antes da adoção das cotas sociais na Ufes, a porcentagem de negros/as e pardos/as que entravam na Universidade era de 43%. O sistema de cotas sociais passou a ser utilizado a partir de 2008 e, em 2011, a porcentagem de negros/as e pardos/as que entraram na instituição de ensino ainda era de 44,1%.

Fejunes

O Fórum Estadual da Juventude Negra do Espírito Santo (Fejunes) ainda chamará a atenção para a necessidade de continuar a luta contra o extermínio de jovens negros. "Nós vamos reforçar a campanha contra o extermínio de jovens. Os números não sofreram alterações, o que mostra a necessidade de mobilização”, comenta, lembrando que, assim como nos anos anteriores, Fejunes já está programando a Marcha Estadual contra o Extermínio da Juventude Negra, a qual acontece em novembro em referência ao Dia da Consciência Negra, celebrado no dia 20 de novembro.

Para mais informações, acesse: http://blog.fejunes.org.br/

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