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06.06.12 - Haiti
Ministros de Defesa da Unasul vão traçar plano para retirada de militares do Haiti
Natasha Pitts
Jornalista da Adital
Adital

Os militares dos países que fazem parte da União das Nações Sul-americanas (Unasul) não vão mais integrar a Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah, por sua sigla em inglês), presente no país há oito anos. A decisão foi tomada ontem (5), em Asunción, Paraguai, durante a VI Reunião do Conselho de Defesa da Unasul. Na ocasião, os ministros de Defesa dos 12 países do grupo também divulgaram os gastos com defesa regional.

Além dos ministros e altos representantes dos Ministérios de Relações Exteriores da Unasul, estiveram presentes na VI Reunião do Conselho o representante especial do secretário geral das Nações Unidas para o Haiti e chefe da Minustah, embaixador Mariano Fernández, e o representante da secretaria técnica da Unasul para o Haiti, embaixador Rodolfo Mattarrollo.

Segundo informações da Unasul, durante a reunião do Conselho os participantes decidiram formar um Grupo de Trabalho com o objetivo de elaborar um plano com estratégias, formas, condições, etapas e o cronograma de um Plano de Redução de Contingente dos componentes militares sul-americanos da Minustah.

Nas palavras do ministro venezuelano de Defesa, Henry Rangel, análises realizadas mostraram a necessidade da retirada dos militares do Haiti para que o país "vá tomando seu próprio ritmo democrático, de crescimento e desenvolvimento”.

A VI Reunião do Conselho foi também uma chance para se falar sobre gastos militares. Na ocasião, os ministros de Defesa apresentaram seus gastos em defesa regional. A medida e o debate que ela gerou foram vistos como forma de integrar as forças militares sul-americanas e reforçar a demanda de que nunca mais haja conflitos entre nações da região.

"Que melhor sinal de confiança que o que coloquemos sobre a mesa quais foram nossos investimentos na área militar, pois gera também vontade de que comecemos a complementar-nos e a ver-nos como forças armadas da América do Sul!”, assinalou Henry Rangel.

A Unasul é formada por 12 países, sendo eles: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai e Venezuela. Vale destacar que a Unasul é um organismo internacional reconhecido pelas Nações Unidas e não um bloco econômico como o Mercado Comum do Sul (Mercosul).

Minustah

A Minustah foi instituída em 30 de abril de 2004 por uma resolução aprovada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas. A intenção era estabilizar o país, pacificar e desarmar grupos guerrilheiros ilegais, promover eleições e fomentar o desenvolvimento no país. A necessidade desta intervenção foi imposta pela ONU após um período de conflitos e da deposição do presidente Jean-Bertrand Aristide.

A missão se instalou no país em 1º de junho de 2004 e permanece até hoje, com sete mil militares de 21 países de vários continentes. Desde a chegada dos militares ao país, a população e movimentos sociais pedem que eles batam em retirada. Na última sexta-feira (1), quando a ocupação militar completou exatos oito anos, foi realizada a Jornada Continental de Solidariedade e Mobilização pela Saída das Tropas do Haiti.

Veja mais em:

Acontece hoje Jornada Continental de Solidariedade e Mobilização pela Saída das Tropas do Haiti

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