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21.03.06 - Brasil
Violência racial
Adital

Nesta terça-feira, 21, Dia Internacional pela Eliminação do Racismo, a Central Única dos Trabalhadores de São Paulo (CUT-SP) e 17 entidades dos movimentos negro, de direitos humanos e estudantil anunciam a campanha "Não matem os nossos jovens: Eu quero crescer". Na oportunidade foi apresentado documento relatando os homicídios de jovens em São Paulo.

 

"Em 1995 a Coordenação Nacional de Entidades Negras (Conen) lançou a primeira campanha "Não matem nossas crianças", motivada pela onda de violência contra jovens negros e pobres desencadeada após a chacina da Candelária, no Rio de Janeiro. De lá para cá a realidade pouco se alterou. Os jovens, principalmente de periferia, continuam sendo assassinados. Por isso a atualidade e importância desta campanha", ressalta Rafael Pinto, diretor da Associação dos Funcionários do Banespa (Afubesp) e militante do movimento negro.

 

Na entrevista coletiva de anúncio da campanha estiveram presentes o presidente da CUT/SP, Edílson de Paula, o coordenador do Movimento Nacional de Direitos Humanos, Ariel de Castro Alves, o coordenador da Frente Parlamentar em Defesa da Igualdade Racial, o deputado estadual Sebastião Arcanjo (PT), Frei Davi, da ONG Educafro, e o presidente da Conen, Flávio Jorge, entre outras lideranças. Eles falaram sobre as diversas causas da violência contra jovens: o desemprego, a falta de políticas públicas e de perspectivas - que os levam a se envolverem com traficantes e crime organizado -, além do preconceito e da violência policial.

 

Febem

 

Na oportunidade, os movimentos também abordaram as denúncias contra a Febem (Fundação do Bem Estar do Menor) paulista, cuja vigente situação de desrespeito aos direitos humanos em suas unidades foi foco de audiência pública, ocorrida em 13 de março último, na Comissão Interamericana de Direitos Humanos, da Organização dos Estados Americanos (OEA), em Washington (Estados Unidos).

 

Estavam presentes à reunião representantes do Centro pela Justiça e pelo Direito Internacional (Cejil) e da Comissão Teotônio Vilela de Direitos Humanos (CTV), entidades que levaram as denúncias ao órgão internacional, em 2000. Não houve acordo entre os membros dessas entidades e os representantes da Febem e do Governo de São Paulo.

 

A Comissão ficou de decidir se encaminha ou não o caso a Corte Interamericana de Direitos Humanos, onde a instituição paulista já tem um processo. "O eventual envio para a Corte poderá trazer resultados mais satisfatórios para solucionar os principais problemas da Febem", destaca o advogado Ariel de Castro Alves, coordenador do Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH) que esteve também presente na audiência em Washington.

 

Números da violência

 

A pesquisa Mapa da Violência IV, lançada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco), em 2004, com dados de 1993 a 2002, revela que os homicídios entre jovens de 15 a 24 anos cresceram 88,6%, contra uma média geral de 62,3%. Apenas em 2002 foram registradas mais de 2,5 mil mortes de pessoas nessa faixa etária.

 

O estudo também aponta que os negros são as maiores vítimas. Na população entre 15 e 24 anos, a taxa de assassinatos de afrodescendentes é de 68,4 mortos por cem mil habitantes, 74% maior do que a média de brancos da mesma idade, de 39,3. O Rio de Janeiro ostenta o maior índice: 208,2 óbitos por cem mil, seguido por Pernambuco (141,5/100 mil) e São Paulo (127,9/100 mil).

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