Uma nova onda de agressões afetou profissionais da imprensa em Oaxaca. No último dia 22 de agosto, os fotógrafos Jorge Luis Plata, do jornal Reforma; Luis Alberto Cruz, do jornal Milênio; e uma equipe de repórteres da Televisão Azteca, foram agredidos quando cobriam uma operação policial destinada a desalojar membros da APPO (Assembléia Popular do Povo de Oaxaca), instalados desde o dia 21 de agosto nas dependências da rádio La Ley.
Segundo informações da organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF), Jorge Luis Plata afirmou que estavam fotografando os veículos policiais, encarregados da evacuação da área, quando os policiais começaram a atirar. Os repórteres se esconderam atrás de postes para evitar que se ferissem. Edgar Galicia, jornalista da Televisão Azteza, acrescentou que a polícia confiscou as câmeras, os microfones e todos os telefones celulares dos membros da APPO. A operação foi ordenada por Aristeo López Martinez, coordenador de segurança pública municipal, e por Manuel Moreno Rivas diretor da Polícia.
O RSF também condena, vigorosamente, o ataque a mão armada às instalações do canal público de televisão Canal 9 de Oaxaca (Sur), que deixou um ferido. Esta agressão, que acontece dentro de um conflito político-social entre o governo da província (procedente do Partido Revolucionário Institucional) e alguns sindicatos, constitui outra violação grave da liberdade de imprensa.
"Nos sentimos consternados pela repetidas agressões que, há dois meses, afetam gravemente a liberdade de imprensa em Oaxaca. É urgente que se restabeleça a paz social e que cessem os ataques armados e as ocupações dos meios de comunicação públicos ou privados. A coexistência de meios livres, críticos e independentes, resulta indispensável para qualquer democracia. Diante da impossibilidade de que o poder local solucione o problema, pedimos às autoridades federais que intervenham e ponham um fim, no menor prazo possível, às intimidações, ameaças e violência contra os meios de comunicação e jornalistas", declarou a organização.
No dia 21 de agosto, pela manhã, homens encapuzados atiraram contra as instalações do grupo público de rádio e televisão de Oaxaca (CORTV, Corporação Oaxaquenha de Rádio e Televisão), ocupadas desde o dia 1º de agosto por membros da APPO. O sindicalistas Sérgio Vale Jiménez ficou ferido e foi encaminhado ao hospital de Oaxaca, e uma parte do estúdio ficou destruída. Se interromperam os programas realizados pela APPO, graças à presença do pessoal retido nos locais. A assembléia se encontrava a ponto de emitir as reivindicações do Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Educação (STNE), que pedia a renúncia do Governador da Província, Ulisses Ruiz.
Mais tarde, durante a manhã, alguns membros da APPO se manifestaram pacificamente diante de uma dúzia de rádios comerciais e chamaram a população para se mobilizar contra a agressão. As rádios ACIR e La Ley foram ocupadas para permitir que a APPO continuasse a transmitir seus programas, já que suas próprias rádios haviam ficado fora de uso depois de sofrer um recente ataque. O porta-voz da Presidência da República, Rubén Aguilar, declarou que a agressão ao Canal 9 foi ordenado por Ulisses Ruiz, com o objetivo de recuperar a CORTV. O governador nega essa versão e se desconhece a identidade dos autores do ataque. Lizbeth Caña Cadena, fiscal do Estado de Oaxaca, negou com firmeza que a polícia tivesse participado da operação, e indicou que foi aberta uma investigação.
No dia 16 de agosto, o jornal Milênio denunciou a agressão ao seu correspondente, Oscar Rodríguez, por membros da APPO que, anteriormente, lhe haviam acusado de divulgar informações falsas. No dia 09 de agosto, o jornal Diário sofreu um atentado, no qual várias pessoas ficaram feridas. No dia 08 de agosto, 15 pessoas encapuzadas entraram nos estudos da Rádio Université (emissora da APPO) e queimaram com ácido parte do material. No dia 03 de agosto, a APPO ameaçou atacar as instalações dos jornais Tiempo e Extra, os acusando de estarem relacionados com o governo de Ulisses Ruiz. Por razões de segurança, as redações foram fechadas.