Organizações da sociedade civil organizada no Estado do Ceará e cidadãos individualmente assinam um Manifesto de Repúdio ao Racismo. Este foi construído a partir da articulação de cerca de 30 organizações sociais anti-racistas, sejam dos movimentos negros ou não. Segundo o texto do documento, mais comum do que se possa imaginar, o racismo acontece cotidianamente, com consentimento das pessoas ou não, de forma explícita ou velada, na escola, no ônibus, no supermercado, no trabalho, na vizinhança, nos meios de comunicação.
Para o movimento negro, é urgente desnaturalizar o racismo e utilizar diversos caminhos para combatê-lo, afinal, racismo é um crime inafiançável e imprescritível. Ou seja, pode dar cadeia. Mas, para que isso ocorra, é necessário que sejam denunciados os casos vivenciados. Além da denúncia, é importante a organização popular, a ampliação do debate sobre a temática e a implementação de políticas afirmativas que revertam essa dívida social. "Racismo não é um problema de negras/os, mas uma questão social que exige o enfrentamento de todas e todos".
De acordo com o manifesto, o fato da escravidão ter sido "abolida" no Ceará quatro anos antes do que aconteceu no país, contribuiu para a sustentação do mito de que se vive numa democracia racial, negando a existência do racismo.
O documento lista estatísticas que revelam a seriedade do problema, como, por exemplo, 65% dos pobres e 70% dos indigentes são negros; na distribuição do percentual de rendimento dos 10% mais pobres, 67,8% são negras/os, e entre brancas/os esse percentual é de 32,2%; em 2003, as mulheres brancas ganhavam, em média, 59,5% dos que ganham homens brancos, enquanto que as mulheres negras ganhavam 65% dos homens do mesmo grupo étnico-racial e apenas 30% do rendimento médio dos homens brancos.
Assinam o manifesto as seguintes organizações: Instituto Negra do Ceará (INEGRA), Fórum Cearense de Mulheres (FCM) e Maria Mulher - Organização de Mulheres Negras; além de outros 10 cidadãos, entre estudantes, professores e outros profissionais.