Em São Paulo, a organização não governamental Sou da Paz premia as boas ações feitas por policiais da região. O objetivo é valorizar a ação dos profissionais que realmente são comprometidos com a segurança e o bem-estar da população, numa forma de dar visibilidade aos policiais, que também são agentes promotores da paz. As melhores ações serão conhecidas em novembro.
Para Mariana Montouro Jen, diretora do Instituto Sou da Paz, a organização nasceu com uma missão de prevenir a violência, por isso tem que encarar e aceitar a participação do policial neste processo. "De fato, é um elemento extremamente importante. Acho que a gente passava pelo outro problema de achar que tudo era culpa ou mérito da polícia", conta. Mas também não foge à outra realidade: "é claro que temos muito no que avançar e melhorar na atuação policial no Brasil como um todo e, particularmente, no Estado de São Paulo, onde desenvolvemos este projeto", continua.
Na Região Metropolitana de São Paulo, existem cerca de 65 mil policiais. O evento está na sua terceira edição e tem revelado boas atuações. A participação ainda é pequena, mas o prêmio expressa bem que existe um outro lado pouco explorado pela mídia. A preocupação do Instituto é que os policiais não podem apenas ser colocados como inimigos, como emblema da repressão; eles precisam estar do mesmo lado, na segurança dos cidadãos.
"É nesse sentido que veio a idéia de criar o prêmio, pois a polícia tem melhorado nos últimos anos em diferentes aspectos, vemos isso nas ruas. O outro lado é a capacitação, o treinamento. A importância de melhorar a própria formação dos policiais. É preciso formar esse policial para um novo papel dele na sociedade. Essa estrutura militar vem muito da idéia de que existe um inimigo do outro lado. Quando o foco do trabalho não é combater esse inimigo, mas proteger a nossa sociedade, os nossos cidadãos. Sabemos que é uma mudança que não é simples, mas ela é possível", afirma Mariana.
Segundo Mariana, o papel de atacar, denunciar, acusar e mostrar é muito importante e a sociedade é muito grata por isso, pois é um trabalho que deve ser contínuo. Mas o outro ponto também é relevante. Elogiar o policial que está fazendo o seu trabalho bem feito, aquele que é criativo na solução dos problemas, aquele que termina não sendo matéria negativa, valoriza esses profissionais. De acordo com ela, "quando ficamos na parte do denuncismo, ficamos dando luz ao mau policial".
"Sabemos que existem problemas de violência, de suborno, de corrupção. Mas resolvemos fazer uma estratégia oposta, inovadora neste sentido. Se aquilo que está sendo ruim está sendo apontado - e achamos isso muito importante - aquilo que está sendo positivo também tem que ser mostrado", ressalta.
Com o período de inscrições concluído, a equipe faz uma visita de campo para comprovar todas as ações que participarão do prêmio. Todas as ações finalistas passam por uma avaliação de uma equipe formada por organizações, policiais e comunidades. As ações finalistas já estão no site (www.soudapaz.org.br) e as comunidades podem participar, ainda, elegendo as melhores através da escolha popular.
São princípios norteadores do prêmio: a preservação da vida de todos; a capacidade de dar respostas eficientes às demandas da comunidade; a proporcionalidade entre meio empregado e resultado esperado; a proporcionalidade entre o bem protegido e o bem afetado pela ação policial; a relevância social da ação, entre outros. A Comissão Avaliadora conferirá até 40 prêmios de R$ 6 mil para as ações finalistas.