Sábado, 25 de outubro de 2014
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12.09.07 - Guatemala
Metade dos guatemaltecos vive abaixo da linha de pobreza
Adital

Pobreza extrema, falta de serviços públicos e ineficiência das autoridades governamentais. A reunião desses problemas resulta em um país no qual a violência e o desrespeito aos direitos humanos dão as cartas. O Grupo de Apoio Mútuo (GAM), organização de direitos humanos guatemalteca, divulgou ontem um Informe sobre a situação dos direitos humanos e verificou que “as condições de vida dos habitantes se deterioram dia a dia”.

Os resultados preliminares da Pesquisa Nacional de Condições de Vida 2006 (ENCOVI, sigla em espanhol) revelam que metade dos 13 milhões de guatemaltecos vive abaixo da linha de pobreza. De cada dez moradores do país, 1,5 sobrevivem com apenas Q 8.77 por dia e a população indígena é a mais vulnerável. Segundo o mesmo informe, a pobreza no país, inclusive, já diminuiu nos últimos seis anos, passando a afetar de 56 a 51% da população.

A organização aponta ainda o desemprego, o aumento do preço da cesta básica, a forte presença de grupos armados e do crime organizado como fatores que deixam a população em estado de vulnerabilidade. Em agosto, a cesta básica aumentou cerca de Q 40.00. Os produtos que mais contribuíram para a alta foram o pão, o leite e o milho. Esse último influenciado pela procura do grão para a elaboração de biocombustíveis. Entre janeiro e agosto, o preço da arroba de milho subiu em Q 50.00, segundo dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Alimentação (MAGA, sigla em espanhol).

Há na Guatemala “um Estado incapaz de reagir diante das demandas da população e incapaz de garantir o bem-estar de seus cidadãos, um Estado sumido na corrupção, na impunidade e entregue a obscuros interesses das companhias transnacionais que trazem destruição e põem em risco a já precária existência das comunidades”, disse o GAM. E acrescentou que a atual administração não permitiu aumento do salário mínimo, apesar de a inflação ter afetado o poder de compra em pelo menos 8%.

A terra que deveria estar em mãos camponesas, está formando os extensos territórios das transnacionais mineiras. Em San Marcos, se reporta os efeitos das conseqüências nefastas que trazem a atividade mineira, como moradias danificadas, animais mortos, poços secos, pessoas doentes (sobretudo as crianças), o que a gerou repúdio das comunidades a essa atividade, já que se seguem deteriorando as condições de vida, com o subseqüente impacto sobre o meio ambiente.

O projeto mineiro Marlin deixa para o povo de Ixtahuacán desflorestamento, poluição, contaminação da água, poços secos, problema com o armazenamento dos dejetos da mina. Os benefícios que foram prometidos não se apresentam. Prefeitos de nove cidades do Estado de Huehuetenango, após pressão popular, se comprometeram a não entregar licenças de exploração, mas o governo federal, através do Ministério de Energia e Minas (MEM) disse que não há impedimento para que o Estado entregue licenças de exploração.

Violações

A violência afetou, só em agosto, a 257 homens, 31 mulheres e 12 crianças. Em cada um dos meses de 2007 houve mais de 250 casos de violações aos direitos humanos, o mês de abril teve o pior índice com 372. As vésperas das eleições –realizadas no último domingo- a violência contra ativistas de partidos políticos foi intensificada e deixou cinco mortos, no ano todo foram 20.

Entre janeiro e agosto, 97 homens, 11 mulheres e três crianças foram executados extrajudicialmente. O número de assassinatos chegou a 100 homens, seis mulheres e sete crianças; as mortes violentas foram 30. Seis pessoas, incluindo uma criança, foram massacradas e houve um linchamento.

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