25.10.10 - Brasil
Eleições 2010: Manifestos de vários segmentos da sociedade
Várias organizações
Adital

1) Manifesto dos 5000 professores universitários em defesa da educação pública
2) Manifesto dos Médicos com Dilma, Presidente do Brasil
3) Com Dilma pela vida em plenitude, de Patrus Ananias

4) Declaração de voto
5) Marineros com Dilma

Manifesto dos 5000 professores universitários em defesa da educação pública
MANIFESTO DOS 5000

Professores das universidades públicas do Brasil consideram retrocesso a candidatura Serra.

Professores em defesa da educação pública.

Nós, cinco mil professores universitários das principais universidades do país, consideramos um retrocesso as propostas e métodos políticos da candidatura Serra. Seu histórico como governante preocupa todos que acreditam que os rumos do sistema educacional e a defesa de princípios democráticos são vitais ao futuro do país.

Sob seu governo, a Universidade de São Paulo foi invadida por policiais armados com metralhadoras, atirando bombas de gás lacrimogêneo. Em um de seus primeiros atos como governador, assinou decretos que procuravam revogar a relativa autonomia financeira e administrativa das Universidades estaduais paulistas. Desde o início do governo PSDB em São Paulo, os salários dos professores da USP, Unicamp e Unesp vêm sendo sistematicamente achatados, mesmo com os recordes na arrecadação de impostos nos últimos anos. Numa inversão da situação vigente nas últimas décadas, eles se encontram hoje em patamares menores que a remuneração dos docentes das Universidades federais.

Esse "choque de gestão” é ainda mais drástico no âmbito do ensino fundamental e médio, convergindo para uma política de sucateamento da Rede Pública. Desde 2005, no que diz respeito ao ensino médio, São Paulo perde sistematicamente colocações no ranking do Ideb; índice nacional de avaliação de ensino. Neste ciclo, onde se sente mais claramente as deficiências dos anos anteriores de aprendizado, São Paulo passou de quarto para sexto colocado.

Os salários da Rede Pública no Estado mais rico da federação são menores que os de Tocantins, Roraima, Rio de Janeiro, Mato Grosso, Espírito Santo, Acre, entre outros. Somada aos contratos precários e às condições aviltantes de trabalho, a baixa remuneração tende a expelir desse sistema educacional os professores qualificados e a desestimular quem decide se manter na Rede Pública. Diante das reivindicações por melhores condições de trabalho, Serra costuma afirmar que não passam de manifestação de interesses corporativos e sindicais, de "tró-ló-ló” de grupos políticos que querem desestabilizá-lo. Assim, além de evitar a discussão acerca do conteúdo das reivindicações, desqualifica movimentos organizados da sociedade civil, quando não os recebe com cassetetes.

Serra escolheu como Secretário da Educação Paulo Renato, ministro nos oito anos do governo FHC. Neste período, nenhuma Escola Técnica Federal foi construída e as existentes arruinaram-se. As universidades públicas federais foram sucateadas ao ponto de faltar dinheiro até mesmo para pagar as contas de luz, como foi o caso na UFRJ. A impossibilidade de novas contratações gerou um déficit de 7.000 professores.

Em contrapartida, sua gestão incentivou a proliferação sem critérios de universidades privadas. Já na Secretaria da Educação de São Paulo, Paulo Renato transferiu, via terceirização, para grandes empresas educacionais privadas a organização dos currículos escolares, o fornecimento de material didático e a formação continuada de professores. O Brasil não pode correr o risco de ter seu sistema educacional dirigido por interesses econômicos privados.

No comando do governo federal, o PSDB inaugurou o cargo de "engavetador geral da república”. Em São Paulo, nos últimos anos, barrou mais de setenta pedidos de CPIs, abafando casos notórios de corrupção que estão sendo julgados em tribunais internacionais (como o caso Alston). Sua campanha promove uma deseducação política ao imitar práticas da extrema direita norte-americana em que uma orquestração de boatos dissemina a difamação, manipulando dogmas religiosos. A celebração bonapartista de sua pessoa, em detrimento das forças políticas, só encontra paralelo na campanha de 1989, de Fernando Collor.

Antonio Candido (USP) Fábio Comparato (USP) Alfredo Bosi (USP) Carlos Nelson Coutinho (UFRJ) Luiz Costa Lima (Uerj) Newton Bignotto (UFMG ) Flora Sussekind (Unirio) Eduardo Viveiros de Castro (UFRJ) Sergio Miceli (USP) Marilena Chaui (USP) Wander Miranda (UFMG) Laymert Garcia dos Santos (Unicamp) Ismail Xavier (USP) Ruy Fausto (USP) Renato Ortiz (Unicamp) Dermeval Saviani (Unicamp) Modesto Carone (USP) Moniz Bandeira (UnB) Joel Birman (UFRJ) Walnice Nogueira Galvão (USP) João José Reis (UFBA) Franklin Leopoldo e Silva (USP) Ronaldo Vainfas (UFF) Maria Victoria Benevides (USP) Maria Odila Dias (USP) Enio Candotti (UFRJ) Laura de Mello e Souza (USP) Jacyntho Brandão (UFMG) Emilia Viotti da Costa (USP) Theotonio dos Santos (UFF) João Adolfo Hansen (USP) Ildeu de Castro Moreira (UFRJ) Celso Favaretto (USP) Ivana Bentes (UFRJ ) José Arbex Jr. (PUC-SP) Rodrigo Duarte (UFMG) Gilberto Bercovici (USP) Francisco Rüdiger (UFRGS) Glauco Arbix (USP) Ângela Leite Lopes (UFRJ) Otávio Velho (UFRJ) Vladimir Safatle (USP) Leda Paulani (USP) José Castilho de Marques Neto (Unesp) Peter Pal Pelbart (PUC- SP) Newton Lima Neto (UFSCar) Heloisa Fernandes (USP) Wolfgang LeoMaar (UFSCar) Juarez Guimarães (UFMG ) Sidney Chalhoub (Unicamp) Wilson Cano (Unicamp ) João Quartim de Moraes (Unicamp) Scarlett Marton (USP) Daniel Aarão Reis (UFF) José Sérgio F. de Carvalho (USP) Raquel Rolnik (USP) Tânia Rivera (UnB) Ladislau Dowbor (PUC-SP) Marcelo Perine (PUC-SP) Jose Vicente Tavares dos Santos (UFRGS) Léon Kossovitch (USP) Maria Ligia Prado,USP) Sergio Cardoso (USP) Ricardo Musse (USP) José Ricardo Ramalho (UFRJ) Emir Sader (Uerj ) Marcos Dantas (UFRJ) Evando Nascimento (UFJF) Luis Fernandes (UFRJ) Laura Tavares (UFRJ) Antonio Albino C. Rubim (UFBA) Sérgio de Carvalho (USP) Afrânio Catani (USP) Arley Moreno (Unicamp) Ângela Prysthon (UFPE) Paulo Faria (UFRGS) Armando Boito (Unicamp) Maria Lucia Cacciola (USP) Marcos Silva (USP) Cynthia Sarti (Unifesp ) Edson de Sousa (UFRGS) André Leclerc (UFC) Sebastião Velasco e Cruz (Unicamp) Liliana Segnini (Unicamp) Maria Lygia Quartim de Moraes (Unicamp) Irene Cardoso (USP) Celso Frederico (USP) Luís Augusto Fischer (UFRGS) Liv Sovik (UFRJ) César Minto (USP) Flavio Aguiar (USP ) Luiz Roncari (USP) Rosa Maria Dias (Uerj) Adalberto Cardoso (Uerj) Otavio Soares Dulci (UFMG) Vera da Silva Telles (USP) Ernani Chaves (UFPA) José Antônio Pasta (USP) José Carlos Bruni (USP) Giuseppe Cocco (UFRJ) José Camilo Pena (UFRJ) Denilson Lopes (UFRJ) Cilaine Alves Cunha (USP) Sandra Vasconcelos (USP) Bernardo Ricupero (USP) Federico Neiburg (UFRJ) Consuelo Lins (UFRJ) Luiz Renato Martins (USP) Henrique Carneiro (USP) Caio Navarro de Toledo (Unicamp) Walquíria Leão Rego (Unicamp ) Claudio H. M. Batalha (Unicamp) Lincoln Secco (USP) Mauro Zilbovicius (USP) Edilson Crema (USP) Heloisa Pontes (Unicamp) Vinicius B. de Figueiredo (UFPR) Analice Palombini (UFRGS) Nelson Schapochnik (USP) Richard Simanke (UFSCar) Alessandro Octaviani (USP) Antonio Carlos Mazzeo (Unesp) Valeria de Marco (USP) Adriano Codato (UFPR) Eugenio de França Ramos (Unesp) Paulo Henrique Martinez (Unesp) Paulo Nakatani (UFES) César Ricardo Siqueira Bolaño (UFS ) João Emanuel (UFRN) Christian Ingo Lenz Dunker (USP) Ana Fani Alessandri Carlos (USP) Frederico Mazzucchelli (Unicamp) Francisco Foot Hardman (Unicamp) Eduardo Rolim de Oliveira (UFRGS) Fernanda Arêas Peixoto (USP) Miriam Debieux (USP) Helder Garmes (USP) João Roberto Martins Filho (UFSCar) Emiliano José (UFBA) Luiz Recaman (USP) Ricardo Fabrini (USP) Anselmo Pessoa Neto (UFG) Nelson Cardoso Amaral (UFG) Marcos Siscar (Unicamp) Evelina Dagnino (Unicamp) Maria Helena P. T. Machado (USP) Lucilia de Almeida Neves (UnB) Elyeser Szturm (UnB) Alysson Mascaro (USP) Lúcio Flávio Rodrigues de Almeida (PUCSP) Reginaldo Moraes (Unicamp) Marcia Tosta Dias (Unifesp) Carlos Ranulfo (UFMG) Eliana Regina de Freitas Dutra (UFMG) Roberto Grun (UFSCar) Tânia Pellegrini (UFSCar) Mauricio Santana Dias (USP) Fábio Durão (Unicamp) Luiz Carlos Soares (UFF)...

Out 2010

Assine o Manifesto. Envie seu nome e universidade para o e-mail emdefesadaeducacaopublica@gmail.com

Veja a lista completa dos que já assinaram em www.emdefesadaeducacao.wordpress.com

Obs.: O objetivo era colher 5000 assinaturas, porém o nº foi maior e continua crescendo.

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Manifesto dos Médicos com Dilma, Presidente do Brasil

Os médicos abaixo-assinados, que no primeiro turno das eleições presidenciais votamos em distintas candidaturas, vimos através desta demonstrar publicamente a nossa união em torno da eleição de Dilma Rousseff nesse 2o turno.

Esta escolha baseia-se na clareza de que hoje existem projetos de país diferentes representados pelas duas candidaturas que disputam a eleição presidencial. Lamentamos que em um momento tão importante para a democracia do Brasil, a candidatura de José Serra –sustentada principalmente pelo Democratas e PSDB– não apresente às claras o que já fez e o quer para o país.

A candidatura de Serra esconde-se em debates menores, que tem intenção de desqualificar a candidatura de Dilma Rousseff, ao invés de tentar provar que o projeto que defende é melhor para os brasileiros.

Ao contrário, traz pro centro de sua campanha uma falsa religiosidade, que nunca fez parte do projeto de seu partido, tratando com leviandade a questão do aborto, e comprometendo um debate fundalmental dentro da Saúde Pública, por puro oportunismo político.

Assim, optamos pela candidatura de Dilma Rousseff por não apoiarmos as políticas de desmantelamento do Estado como a privatização do patrimônio público e a terceirização da atenção à saúde, implementadas por FHC entre 1994 e 2002, que não obtiveram êxito nem em elevar a capacidade produtiva do Brasil, nem em melhorar a qualidade de vida de nossa gente.

Esperamos que eleita, consiga enfrentar alguns problemas que não foram solucionados pelo Governo Lula, como a regulamentação definitiva da Emenda Constitucional 29 – para ampliar o financiamento da saúde, e empreenda reformas estruturais, como a reforma política, imprescindíveis para o fortalecimento da Democracia brasileira.

Por fim, para de fato melhorar a saúde da população, queremos mais distribuição de renda, com geração de empregos, fortalecimento da agricultura familiar, ampliação e fortalecimento de políticas sociais como a Educação, Cultura, Lazer e Moradia.

Estamos convencidos de que a candidatura DEMOTUCANA aponta no sentido oposto ao combate da desigualdade social e temos que derrotá-la nas urnas!

Por isso, convocamos todos os cidadãos para em 31 de outubro de 2010, confirmar Dilma Rousseff, a primeira mulher Presidente do Brasil.

Brasil, 18 de outubro de 2010

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Com Dilma, pela vida em plenitude

Patrus Ananias
Advogado, membro do Centro Alceu Amoroso Lima para a Liberdade

"Vim para que tenham a vida; e a tenham em plenitude”. Essa é a vigorosa mensagem de Jesus que forma o centro do cristianismo. E é com base nela que gostaria de compartilhar algumas reflexões acerca do direito à vida, que para nós, cristãos, começa com o momento sagrado da concepção. Com base nesses princípios, somos contrários ao aborto. Mas penso que o direito à vida a partir da concepção deve ser vinculado a uma compreensão mais alargada de vida, pensando na "plenitude” reforçada na mensagem do Cristo.

Neste segundo turno das eleições presidenciais, setores muito conservadores da sociedade introduziram a questão do aborto de maneira enviesada -como de resto fizeram com muitos outros temas importantes-, dissociando-a dos desdobramentos posteriores que asseguram o direito à vida na sua força e plenitude. Queremos assegurar os direitos do nascituro desde a concepção para que, vindo a este mundo, possa partilhar do "banquete da vida”, na bela expressão de Paulo VI, e assim encontrar condições para bem trabalhar e realizar seus talentos. Essas garantias básicas começam no ventre materno, que precisa estar bem cuidado e alimentado. Nesse contexto, precisamos discutir, à luz da tradição cristã, o direito à vida em seu sentido mais amplo, considerando as condições objetivas de sua existência. Esse foi o núcleo das políticas públicas nos dois mandatos do presidente Lula e é o centro do programa de governo da nossa candidata Dilma Rousseff. Ambos se sustentam na importância e na centralidade das políticas sociais como coesionadoras de um projeto de desenvolvimento integral e integrado para o país.

Ao discutir a defesa da vida, precisamos, por exemplo, intensificar o enfrentamento vigoroso para reduzirmos cada vez mais -como estamos reduzindo no governo Lula- a mortalidade infantil. É necessário enfatizar esse aspecto: queremos que as crianças venham ao mundo para serem bem acolhidas, para viver. Temos ainda de discutir e enfrentar a questão da juventude, da violência nas periferias das cidades, que atinge principalmente os jovens pobres e negros. É uma guerra na qual ninguém está ganhando. O governo Lula, do qual eu participei, tem um programa importante para garantir a segurança por meio de uma perspectiva de cidadania, o PRONASCI (Programa Nacional de Segurança e Cidadania). Sabemos que não é uma tarefa fácil, que é um problema que exige participação de vários setores do governo, de todos os entes federados e dos setores da sociedade. Mas o estamos enfrentando de forma prioritária e inovadora.

E a questão da fome? A fome mata! Nós, no governo Lula, incluímos mais de 30 milhões de pessoas na classe média e 28 milhões saíram da pobreza absoluta. É uma conquista histórica, civilizatória, cristã, evangélica: nós estamos vencendo a batalha contra a fome no Brasil. O Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, do qual eu tive a honra de ser ministro, contou este ano com um orçamento de R$ 39 bilhões - dinheiro dedicado única e exclusivamente aos pobres. Dedicado única e exclusivamente a combater a fome, a pobreza, a miséria, a desnutrição e, com isso, promover a plenitude da vida. Considerando exclusivamente as políticas de assistência social, segurança alimentar e transferência de renda, representa um crescimento de mais de 500% em relação ao que foi investido no último ano do governo anterior. Em 2002, o total do orçamento para programas dessas áreas era de R$ 7,2 bilhões. Foram criados mais de 14 milhões de novos empregos no nosso governo.

Devemos construir uma sociedade coesionada em torno do direito à vida. O nosso compromisso é ousado: uma sociedade em que ninguém morra antes da hora, em que as pessoas vivam dignamente até o limite de seus organismos recebendo todos, desde a concepção, os benefícios dos progressos da medicina e da saúde pública. Uma sociedade onde ninguém morra violentamente. Para isso, precisamos, na perspectiva de assegurar a vida dos que estão misteriosamente a caminho deste mundo, combater três frentes de violência:

A primeira, a qual nós estamos superando, é a violência social. Ela diz respeito às pessoas que morrem por causa da fome, da desnutrição, da falta de atendimento médico e cuidados básicos com a saúde, por causa da falta de moradia e saneamento básico. Hoje há um enfrentamento vigoroso a esses tipos de violência, como nunca foi feito no Brasil. Temos um intenso trabalho pela garantia de comida, água potável – com o Programa das Cisternas -, saneamento básico, casa própria - como no programa Minha Casa, Minha Vida -, acesso à energia elétrica com o Luz Para Todos. Há um esforço do atual governo em enfrentar essas questões, esforço este que o mundo inteiro reconhece. O Brasil tem se tornado uma referência no campo das políticas sociais.

A segunda, também merecedora de uma séria reflexão, é a violência no trânsito. Jovens, crianças, pais e mães de família estão morrendo nas ruas e nas estradas. Cada feriado tem se tornado um balanço trágico dessas vidas humanas que não tiveram seu direito sagrado assegurado.

Por fim, há ainda a violência -que vem se reduzindo- das periferias das grandes cidades. É preciso intensificar o combate ao crime organizado e garantir uma vida de tranquilidade às famílias que moram nesses locais.

São Tomás de Aquino já nos ensinava na Idade Média que a prática das virtudes cristãs pressupõe o atendimento às necessidades materiais básicas. Podemos dizer hoje que a prática das virtudes cívicas, republicanas e democráticas pressupõe direito à alimentação, moradia, condições dignas de vida.

Reitero minha posição contrária ao aborto. Essa é também a posição de muitos companheiros e companheiras do PT. Essa é a posição do presidente Lula. Essa é a posição da nossa candidata Dilma. O rigor na fidelidade às nossas concepções mais históricas e profundas não dispensa a caridade e a compaixão que devem estar presentes em todas as ações e reflexões dos cristãos, porque constituem o centro da vida e da mensagem de Jesus. O Papa João XXIII nos ensinava: é preciso distinguir o erro da pessoa que erra. Santo Agostinho também dizia: é preciso distinguir pecado e pecador. O erro e o pecado devem ser combatidos. A pessoa que erra tem de ser acolhida. Nosso Deus é o Deus da misericórdia, é o Deus do filho pródigo, como ensinou Jesus, ele próprio defendendo e perdoando a mulher que queriam naquele tempo apedrejar. Da mesma forma, em nome de nosso Deus da misericórdia e dos valores mais fortes e permanentes do Evangelho e da Tradição Cristã, não podemos admitir, numa campanha eleitoral, que deve ser marcada pelo debate democrático e pelo respeito ao outro, a disseminação de sentimentos de ódio e violência.

Dilma, que ocupou posições de destaque no governo Lula, tem história de compromisso profundo com a vida. Dilma é mãe. Dilma é avó. Dilma dedicou sua vida, desde a juventude, à construção de uma pátria mais justa e solidária. Compromisso que se traduz também com as gerações futuras. Em oito anos, o governo Lula fez muito pela vida no Brasil. Seguramente o governo que mais defendeu e promoveu a vida. Além de ter sido preservada a legislação vigente sobre o aborto, o governo Lula criou as condições para que a vida se manifeste mais plenamente desde a gestação.

Qual o futuro para uma vida condenada a ser para sempre "Severina”? O caminho natural da vida não é esse. É de ampliar horizontes. Mesmo a vida Severina, como bem nos mostra o belo poema de João Cabral, se move sob esse pulso. Ela rompe todas as barreiras, contraria todas as adversidades e nasce como resposta de esperança. A força que traz dentro de si é elevada demais para ficar desperdiçada. Precisa de apoio para expandir. Investir no desenvolvimento das potencialidades das pessoas é investir na liberdade, que se traduz em exercício da cidadania e segurança para acolher e formar seus filhos em condições cada vez melhores.

As políticas sociais do governo Lula, articuladas dentro de um projeto mais amplo de desenvolvimento, estão dando curso a essa força vital. O projeto, ainda inconcluso diante da secular dívida social do país, precisa de continuidade. Dilma, por sua história e pelas forças políticas e sociais que a apóiam, traduz o compromisso com a ampliação das políticas públicas sociais que asseguram em plenitude o direito à vida e à dignidade da pessoa humana no contexto generoso, amplo e alargado da justiça social e do bem comum.

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Declaração de voto

J. Rosha, Jornalista

Votei em Dilma Roussef no primeiro turno e votarei nela novamente no segundo turno. Ao contrário de ilustres e respeitáveis petistas, não considero a continuidade de um projeto de governo, num regime democrático, uma ameaça à própria democracia. Uma das ameaças para a democracia é a contrapropaganda e a desinformação acerca dos rumos que o país toma. Por isso, nesse momento, acredito, é importante tomar posição.

Articulistas da direta e da esquerda têm dito que não há diferenças entre certas políticas adotadas pelos governos de FHC e Lula. De certo ponto de vista, é tênue a diferença entre ambos. Porém, a menor das diferenças pode levar a resultados quantitativa e qualitativamente distintos. Façamos uma breve comparação.

A era FHC foi turbulenta. Mesmo sob os efeitos da estabilização da moeda, com a criação do Real em 1994, a economia não cresceu significativamente. Os indicadores sociais estavam permanentemente em baixa. A desigualdade, resultado da elevada concentração de renda, tinha como conseqüência conflitos a céu aberto entre os movimentos populares, de um lado, e as forças do estado e/ou de interesses privados, do outro – vide o massacre de Eldorado dos Carajás, em abril de 1996. A máquina estatal foi largamente usada e controlada em benefício de interesses privados e a privatização de várias estatais foi, em parte, consequência disso.

Nos oito anos de Lula, alguma coisa mudou e muitas mudanças podem ser conferidas a "olho nu”. Alguns indicadores sociais foram alterados: os programas sociais, ainda que de natureza marcadamente assistencialistas, permitiram a famílias pobres, excluídas e marginalizadas pelo poder público, ter acesso a benefícios antes inimagináveis. Tirar mais de 11 milhões de brasileiros(as) da linha de pobreza tem o mérito, dentre outras coisas, de evitar o prolongamento de uma situação que mais adiante poderia causar transtorno ainda maior para todo o povo brasileiro.

Por outro lado, nada mudou na estrutura do sistema financeiro, do latifúndio, dos meios de comunicação e das grandes empreiteiras – os pilares do capitalismo brasileiro. Esses setores continuam mais fortes do que nunca e suas ações impõem um modelo de esclusão social e desenvolvimentista que aprofunda as desigualdades e ameaçam o meio ambiente, os pequenos proprietários de terra, os povos indígenas e populações tradicionais. Várias iniciativas do Estado brasileiro, que perpassam as prerrogativas dos governos do momento, seguem seu curso e parecem intocáveis – como os grandes projetos de infra estrutura cuja finalidade é fortalecer as bases do capital no país.

Com os programas e políticas sociais do governo Lula as desigualdades começam a ser superadas. Mas não avançarão significativamente se aquelas estruturas permanecem inalteradas. Por exemplo: quando houver mudança na estrutura dos meios de comunicação, quando os monopólios derem lugar a meios democráticos de acesso e produção de informação, quando forem rompidas as cercas dos "latifúndios da comunicação” – usando termos do teólogo Paulo Suess-, a população brasileira terá mais instrumentos para se informar e analisar de forma crítica os discursos dos formadores de opinião.

Então, o que se pode esperar de qualquer governo no atual sistema político são iniciativas aquém daquilo que grande parte da sociedade deseja. As mudanças nessas estruturas serão feitas a partir dos movimentos de massa, com os movimentos sociais fortalecidos e sem vínculos com qualquer governante. E essa foi uma das limitações observadas ao longo do mandato de Lula: lideranças populares foram, de certa forma, cooptadas ou ascenderam a cargos nos diversos escalões governamentais, enfraquecendo o poder de mobilização e pressão popular. Outros acreditavam piamente que um líder popular e carismático como Lula chegando a presidência da república seria bastante para resolver os grandes problemas do país. Não consideravam que o Executivo pode mediar a queda de braço entre os setores com interesses conflitantes e diversos, balançando de um lado para outro, dependendo de quem tem mais força para dar rumos às ações governamentais. Portanto, seja lá qual for a cor da bandeira no Palácio do Planalto é preciso que os movimentos sociais continuem autônomos, independentes, pois só assim podem ganhar força e influenciar o poder.

A administração de Lula, sabotada pelas intricadas e, muitas vezes, inexplicáveis alianças, teve o mérito de iniciar um processo de mudanças, dentro do atual regime democrático brasileiro, que precisa amadurecer para atacar as raízes das desigualdades e introduzir uma nova cultura na sociedade brasileira. Portanto, descontados os erros no curso da sua execução – que foram muitos e poderiam ter sido previsíveis e calculáveis, na maioria dos casos-, o projeto iniciado em 2003 e defendido agora pela candidata Dilma Roussef ainda é melhor para o Brasil e por isso precisa ter continuidade. E entre continuidade e continuísmo há uma enorme diferença semântica, política e ideológica.

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MARINEIROS COM DILMA

Estivemos com Marina Silva no primeiro turno, porque buscamos uma alternativa política para o Brasil capaz de afirmar uma conduta pública marcada pela ética na política, em favor de uma política econômica que supere definitivamente a miséria e a concentração de renda e que redirecione o próprio modelo social com base na sustentabilidade. Nos orgulhamos de uma campanha que ofereceu uma contribuição efetiva ao País e que, mesmo com um tempo mínimo de propaganda eleitoral no rádio e na TV, conseguiu enfrentar as máquinas eleitorais montadas com o apoio do Estado, dos partidos tradicionais e do grande capital.

A votação recebida por Marina Silva expressa, basicamente, um claro sinal de que parcelas expressivas da população não toleram mais o jogo de cena, as alianças sem programa, os acordos que visam apenas a repartição do poder, a corrupção endêmica que abala as instituições, o oportunismo eleitoral e a demagogia que amesquinham a própria política. Os quase 20 milhões de votos que alcançamos sinalizam, ainda, que o Brasil precisa de uma agenda socioambiental séria e que este tema, antes circunscrito a pequenos grupos de ativistas ambientais e à intelectualidade, já possui apelo popular entre nós.

Por conta de tudo aquilo que a candidatura de Marina Silva representou, vivemos a generosa experiência da militância de centenas de milhares de apoiadores em uma campanha que nos ofereceu de volta o espaço da paixão pelas ideias, ao invés da promessa de cargos ou de qualquer expectativa de benefício pessoal. Talvez por conta disso, enfrentamos o sectarismo de muitos que se julgam o "sal da terra” e mesmo Marina – que jamais agrediu ou desrespeitou seus adversários – foi tratada primeiro com desprezo, depois com a costumeira intolerância que acompanha a trajetória da antiga esquerda como uma sombra.

No próximo dia 31, entretanto, esta antiga esquerda se defronta nas urnas com a direita de sempre. Melhor seria para o Brasil que ambas as posições tivessem avançado em seus pressupostos e firmado compromissos mais nítidos em torno de programas de governo. Como se sabe, este não foi o resultado do processo eleitoral. Pelo contrário, somos testemunhas de uma radicalização da disputa, marcada por acusações, boatos e calúnias. A candidatura de José Serra, neste particular, tem se mostrado insuperável e é repugnante que tenha transformado o preconceito em seu principal aliado.

Ao mesmo tempo, é preciso afirmar um caminho que aponte para um futuro de mais inclusão social e de maior sensibilidade com a realidade dos milhões de brasileiros que seguem à margem da própria cidadania. Entendemos que um eventual governo da coligação PSDB-DEM afastaria o Brasil destes grandes desafios, privilegiando os compromissos do "Estado Mínimo” e o discurso repressivo do tipo "Lei e Ordem”. Por isso, a opção representada por Dilma nos parece a mais adequada para impedir um retrocesso histórico cuja conta será paga pelos mais pobres. No mais, a resposta oferecida por Dilma ao documento enviado por Marina às duas candidaturas que disputam o segundo turno foi a que mais se aproximou das nossas propostas, o que nutre expectativas de que Dilma poderá incorporar em seu governo vários dos compromissos da agenda socioambiental que defendemos.

Com base nesta avaliação, conclamamos todos os que apoiaram Marina a uma participação ativa nesta reta final da campanha em favor da candidata Dilma Rousseff.

Luciano Zica, Ex-Deputado Federal por São Paulo
Marcos Rolim, Ex-Deputado Federal pelo Rio Grande do Sul
Pedro Ivo Batista, Coordenador da Rede Brasileira de Ecossocialistas
Paulo Lima (Polô), Socioambientalista, Fortaleza, Ceará
Rubens Gomes (Rubão), Músico, Sociambientalista, Manaus, AM
Renata Florentino, Socióloga - Campinas/SP
Thiago Alexandre Moraes, socioambientalista e militante de juventude, São Paulo
Juarez de Paula, Sociólogo, Consultor especialista em Desenvolvimento Local, Brasília,DF
Guto Gomes, Membro do Fórum de ONGs Ambientalistas do Distrito Federal
André Lima, Advogado e Colaborador da Frente Parlamentar Ambientalista, Brasília, DF
Muriel Saragoussi, Militante das causas socioambientais
Renato Ferreira, Advogado e Ecologista, Porto Alegre, RS
João Paulo, Analista Ambiental, Brasília, DF
Gilberto Santana, Sindicalista, Salvador, Ba
Jaqueline Oliveira Silva, Professora da URGS, Porto Alegre, RS
Erlando Alves da Silva Melo, Servidor Público Federal, Brasília, DF
Otto Ramos, Prof. História, Contagem-MG
Henyo Trindade Barreto Filho, Sociambientalista, Brasília, DF
Luís Fernando Merico, Socioambientalista, Santa Catarina
Adolpho Fuica, Ambientalista, Brasília, DF
Solange Ikeda, professora universitária, Mato Grosso
Álvaro Suassuarana da Silva - Manaus/AM
Guilherme Gomez Meldau - Cuiabá/MT
Lucas Brandão, Mestrando em Sociologia pela USP. Ex-coordenador da APG (Associação dos Pós-Graduandos da USP - gestão 2009)
Amanda Lemos, Estudante de jornalismo pela PUC-SP
Mauro Soares Pereira, Grupo de Apoio ao Meio Ambiente / Alto Paraíso de Goiás.
Marcelo Aiub de Mello, Eng. Florestal - Presidente da OSCIP Instituto Vivá Amazônia/PA
Jorge Moreira Filho, Eng. Agrônomo - Vice-Presidente da OSCIP Instituto Vivá Amazônia/PA
Rose Daise Melo Nascimento, Pisicóloga - Prefeitura Municipal de Barcarena/PA
Tobias Brancher, Eng. Florestal - Diretor da Florestas Engenharia
Marcelo Martins, Eng.Civil - Conselheiro Fiscal do Instituto Vivá Amazônia/PA
Francisca Eleni, Engª Florestal - Programa Pará Rural/PA
Alex Moura Feio, Técnico em Geomática/IEFT/PA
Everardo de Aguiar Lopes, Ex-membro do Diretório Nacional do PT
Fidelis Paixão, advogado ambientalista membro do Forum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais
Jefferson Sooma - Ativista Cultural
Tânia Maria de Oliveira, Advogada e Servidora Pública Federal, Brasília, DF
Henrique Resende Sabino
Bárbara Batista, Publicitária e militante da Rede Ecossocialista
Leo Cabral, Socioambientalista e Ativista Cultural
João Francisco, Mestre em Ciência Política e Fundador do Movimento Extramuros, Brasília, DF
Pedro Piccolo Contesini, Estudante de Sociologia da Universidade de Brasília
João Suender Moreira – Biólogo, Mestre em Genética e Biotecnologia - Especialista em Saúde da Secretaria de Saúde do Distrito Federal
Bira Dias, Fotógrafo, Santa Catarina
Ana Valéria Holanda da Nóbrega, Turismóloga, Historiadora e Ambientalisata, Fortaleza, Ceará
Hathos Garcia Dias, Minas Gerais
Felipe Vaz, Ambientalista
Marinês Carneiro de Almeida, Servidora Pública Federal, Mato Grosso
Ângelo José Rodrigues Lima, Biólogo, Mato Grosso
Rafael Peixoto, Bancário, Brasília, DF
Larissa Barros, socióloga, consultora especialista em tecnologias sociais, Brasília, DF
Neusa Helena Rocha Barbosa, Educadora Ambiental e sociambientalista, Brasília, DF
Roberto Lennox, Sociambientalista, Brasília-DF
Marines Carneiro de Almeida, Servidora Pública Federal
Marcela Monteiro, Sociambientalista, Goiânia, GO
Valmiro Batista do Nascimento, Ambientalista, Goiânia, GO
Jackson Bispo, Goiás, GO
Gilberto Lopes Farias, Sociambientalista, Aparecida de Goiânia, GO
Edilson Pereira Lima, Ativista Cultural, Brasília, DF
Maria Eugênia, Ativista Cultural, Brasília, DF
Tatiana Moraes, Gestora Ambiental, Brasília, DF
Priscila Rose, Administradora e Sociambientalista, Brasília, DF
Marina Minari, São Paulo, SP
Soraia Silva de Mello, São Paulo, SP
Villi F. Seilert Sustentat, Brasília/DF
Elizabeth Maldonado Roland
Uriban Xavier, Professor do Departamento de Ciências Sociais da UFC, Fortaleza, Ceará
Analise da Silva, Profa. Adjunta - FAE UFMG
Jonas Bertucci, Economista
Beatriz Furtado, Ativista Cultural e Professora da UFC, Fortaleza, CE
Fábio Nolasco, Socioambientalista.

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