09.12.10 - México
Evo Morales participa de Encontro dos Povos da Via Campesina
Karol Assunção
Jornalista da Adital
Adital

O Encontro dos Povos, atividade do Fórum pela Vida, Justiça Climática e Social, conta, na tarde de hoje (9), com a presença de Evo Morales, mandatário boliviano. A visita de Morales à Unidade Desportiva Jacinto Canek, local onde se encontra o Acampamento da Via Campesina em Cancun, no México, acontece um dia antes do encerramento da 16ª Conferência das Partes (COP16) da Convenção-Quadro da Organização das Nações Unidas sobre Mudança Climática, realizada desde o dia 29 de novembro na cidade mexicana.

De acordo com comunicado da Via Campesina, além de demonstrar apoio aos espaços alternativos à COP16, o mandatário boliviano deve ressaltar aspectos importantes na discussão climática, como: o respeito à soberania alimentar, o cumprimento dos direitos dos povos indígenas, o reconhecimento da Mãe Terra, a construção de um projeto popular, os desafios dos movimentos sociais na luta pela justiça climática, entre outros.

Mais cedo, Morales disse, na Cúpula, que é preciso pressionar os governos para que todos respeitem o protocolo de Kyoto e “ataquem” o sistema capitalista, responsável pela mudança climática. “Se nós aqui enviamos o Protocolo de Kyoto para a lixeira, seremos responsáveis por econocídios (...), portanto, por genocídios, porque estamos atentando contra a humanidade em seu conjunto”, alertou.

Na ocasião, o presidente boliviano ainda reiterou a necessidade de participação popular nas discussões da Cúpula. “Não podemos aqui, a portas fechadas, tratar de impor documentos que não expressem o sentimento dos povos, que não expressem o pensamento dos povos que vêm do sofrimento”, ressaltou.

Hoje não foi a primeira vez que representantes de países latino-americanos expressaram apoio a mobilização popular na COP16. Na última terça-feira (7), Pablo Solón, embaixador da Bolívia na Organização das Nações Unidas (ONU), e Miguel Lovera, assessor da Presidência do Paraguai, participaram de uma marcha promovida pela Via Campesina contra o mecanismo de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação (REDD).

Durante a mobilização, segundo informações da organização social, Solón afirmou que muitas delegações na COP16 começam a escutar e a levar em consideração as propostas da sociedade. Lovera, por sua vez, lembrou os efeitos da crise climática na vida e na saúde das populações, destacando que, por ano, 300 mil mortes têm relações com a mudança climática. 

Convocada pela Via Campesina, a Marcha Camponesa, Indígena e Social aconteceu na terça-feira passada. Sob o lema “Cochabamba, sim; REDD, não”, cerca de 10 mil pessoas percorreram as ruas de Cancun para rechaçar as falsas soluções apresentadas para a crise climática e demandar a inclusão do Acordo dos Povos de Cochabamba no documento de negociação e a instalação de um Tribunal Internacional de Justiça Climática e Ambiental.

Com informações da Imprensa do Palácio da Bolívia.

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